ARTIGO: Via Mar e o futuro de Balneário Camboriú


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Redação Santa Catarina em Pauta

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Por: Guilherme Cardoso (Republicanos) / Vereador em Balneário Camboriú

Balneário Camboriú cresceu em uma velocidade que poucas cidades brasileiras conseguiram acompanhar. Hoje somos um dos principais destinos turísticos do país, polo de investimentos, referência em construção civil e uma cidade que influencia toda a região da Foz do Rio Itajaí. Mas esse crescimento trouxe um desafio que já faz parte da rotina de quem mora aqui: a mobilidade.

Nossa cidade depende quase exclusivamente da BR-101. É por ela que chegam turistas, trabalhadores, mercadorias e serviços. O problema é que a rodovia deixou de atender apenas o deslocamento entre cidades. Ela passou a concentrar também o trânsito local, o transporte de cargas e o fluxo de longa distância. Quando esse sistema entra em colapso, os reflexos aparecem imediatamente dentro de Balneário Camboriú. Os acessos travam, as marginais congestionam, o comércio sente os impactos, trabalhadores perdem tempo e a cidade inteira paga essa conta.

É justamente por isso que a Via Mar representa muito mais do que uma nova rodovia. Ao criar um corredor paralelo à BR-101, ela aumenta a capacidade da malha viária do litoral e distribui melhor o fluxo de veículos. Isso tende a reduzir a pressão sobre a BR-101, diminuir os efeitos dos congestionamentos e oferecer mais previsibilidade para quem precisa entrar ou sair da nossa região.

Para Balneário Camboriú, esse investimento pode significar um ganho importante de competitividade. Uma cidade turística depende de acessos eficientes. Quanto mais fácil for chegar até aqui, melhor para o turismo, para o comércio, para os eventos e para os investimentos. Da mesma forma, uma logística mais eficiente beneficia empresas, reduz custos operacionais e melhora a integração com municípios vizinhos como Itajaí, Camboriú, Navegantes e Itapema, que hoje mantêm uma relação econômica e de mobilidade cada vez mais intensa.

Mas também é preciso ter os pés no chão. A Via Mar não resolverá, sozinha, os problemas de mobilidade de Balneário Camboriú. Ela cria uma oportunidade, mas cabe ao município fazer a sua parte. Novos acessos, marginais, elevados, integração entre os bairros e soluções inteligentes para o trânsito continuarão sendo fundamentais. Não adianta ampliar a capacidade da rodovia se os gargalos permanecerem justamente nas entradas da cidade.

O grande mérito da Via Mar é permitir que Balneário Camboriú volte a discutir mobilidade pensando nas próximas décadas, e não apenas na próxima temporada de verão. Obras de infraestrutura exigem visão de longo prazo. Quando uma cidade cresce, sua infraestrutura precisa crescer junto. Caso contrário, o desenvolvimento acaba sendo limitado pelos próprios problemas que ele cria.

Santa Catarina tem demonstrado capacidade de planejar grandes investimentos estruturantes. Agora, é fundamental que Balneário Camboriú esteja preparada para aproveitar essa oportunidade, conectando esse novo corredor logístico ao planejamento urbano da cidade. Se isso acontecer, não estaremos apenas construindo uma nova rodovia, mas criando as condições para que Balneário Camboriú continue crescendo com mais eficiência, competitividade e qualidade de vida.