
Os impactos das apostas esportivas on-line, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Santa Catarina e os desafios relacionados ao envelhecimento da população foram os principais temas dos pronunciamentos na sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), realizada na manhã desta terça-feira (30). Parlamentares abordaram questões ligadas à saúde mental, endividamento, cenário político e políticas públicas voltadas à população idosa. Entre os destaques, o deputado Neodi Saretta (PT) defendeu medidas para restringir o acesso a plataformas de apostas em equipamentos públicos estaduais e ampliar o atendimento em saúde mental para pessoas com dependência em jogos. “Precisamos discutir limites para essa atividade e ampliar a rede de atendimento em saúde mental para atender as pessoas que desenvolveram dependência das apostas”, afirmou.
Durante o pronunciamento, Saretta citou dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) que apontam o crescimento do endividamento relacionado às apostas on-line. Segundo ele, cerca de 80,4% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida e aproximadamente 268 mil pessoas entraram em situação de inadimplência severa exclusivamente em razão dos gastos com apostas virtuais. O parlamentar também destacou que as plataformas movimentaram mais de R$ 30 bilhões em 2025 e defendeu projeto de lei que proíbe o acesso a sites de apostas, cassinos e jogos de azar com dinheiro em computadores e dispositivos pertencentes aos órgãos públicos estaduais, além da instalação de cartazes informativos e da previsão de sanções administrativas em caso de descumprimento.
A deputada Ana Campagnolo (PL) utilizou a tribuna para criticar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado, realizada na última sexta-feira (26), em Itajaí. A parlamentar afirmou que o governo federal mantém uma postura de hostilidade em relação a Santa Catarina, relembrou declarações antigas do presidente e criticou ações relacionadas à pesca, ao reconhecimento da linguiça Blumenau e às discussões sobre o cultivo do pinus. Também destacou indicadores econômicos, de segurança pública e de migração do estado, citando dados do IBGE sobre o saldo migratório positivo registrado entre 2017 e 2022 e a presença de aproximadamente 70 mil venezuelanos em território catarinense.
Já o deputado Mário Motta (PSD) chamou atenção para o crescimento da população idosa em Santa Catarina e defendeu o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao setor. Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2024, o parlamentar informou que o estado possui cerca de 1,25 milhão de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a aproximadamente 15% da população. Segundo ele, o percentual de idosos passou de 10,9% em 2014 para 15,6% atualmente. Motta também abordou a execução dos recursos do Fundo Estadual do Idoso, destacando avanços na gestão em 2025 e afirmando que, além da aplicação dos recursos, é necessário avaliar os resultados das políticas públicas. “Estamos vivendo mais. A pergunta que Santa Catarina precisa responder é se estamos preparados para envelhecer”, declarou.
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