
A Reforma Tributária deverá exigir mudanças nos processos internos das empresas que atuam no comércio exterior, especialmente em Santa Catarina, estado com forte participação nas exportações e importações brasileiras. O novo modelo altera a tributação sobre o consumo, a gestão de créditos tributários, os regimes aduaneiros e os incentivos fiscais, tornando necessária a adaptação gradual das organizações durante o período de transição, que se estenderá até 2033.
Segundo a presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, as empresas precisam iniciar esse planejamento o quanto antes para preservar sua competitividade. “Santa Catarina construiu sua competitividade combinando vocação exportadora, eficiência logística e políticas estaduais de incentivo ao investimento. A Reforma Tributária altera parte desse ambiente e exige que as empresas se antecipem”, afirmou. Ela destacou ainda que setores estratégicos, como o têxtil, deverão revisar suas estratégias, ao mesmo tempo em que o estado precisará fortalecer diferenciais como qualidade da produção, mão de obra qualificada, eficiência logística e inserção internacional.
A advogada e especialista em Direito Tributário da Mosimann-Horn Advogados, Luana Regina Debatini Tomasi, ressaltou que as mudanças vão além da área fiscal e envolvem setores como jurídico, compras, logística, tecnologia, financeiro e contabilidade. “Não estamos diante apenas de uma mudança de tributos, mas de uma reforma estrutural que altera a lógica da tributação sobre o consumo. A transição será longa, até 2033, e as empresas que ainda não iniciaram esse planejamento precisam começar agora”, explicou. Entre os principais pontos de atenção estão a recuperação de créditos tributários, os regimes aduaneiros especiais e a redução gradual da relevância dos Tratamentos Tributários Diferenciados (TTDs), tradicionalmente utilizados em Santa Catarina.
A economia catarinense deverá sentir os impactos da reforma em razão da forte integração com o mercado internacional. Em 2025, o estado registrou recorde de US$ 12,2 bilhões em exportações, US$ 34 bilhões em importações e movimentou 65,7 milhões de toneladas nos portos. Apenas no primeiro semestre de 2026, as importações alcançaram US$ 18,15 bilhões, alta de 7,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A implementação do novo sistema será gradual, com ano-teste em 2026, entrada em vigor da CBS e do Imposto Seletivo em 2027, coexistência dos modelos entre 2029 e 2032 e conclusão da transição em 2033.
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