Florianópolis inaugura primeira xiloteca pública com acervo de mais de 200 peças


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Redação Santa Catarina em Pauta

Espaço no Jardim Botânico reúne amostras de mais de 100 espécies e apresenta ao público informações sobre árvores, clima, ciência e história da madeira – Foto: Felipe Szterling/PMF

Florianópolis terá, a partir deste sábado (22), sua primeira xiloteca pública. O espaço será inaugurado às 10h, no Jardim Botânico de Florianópolis, no Itacorubi, com uma exposição permanente que reúne mais de 200 peças de madeira de mais de 100 espécies de árvores nativas e exóticas. A visitação será gratuita.

A iniciativa é desenvolvida pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em parceria com a Associação do Jardim Botânico de Florianópolis (AJBF). A coleção foi organizada para contribuir com pesquisas científicas, identificação de espécies, ensino e educação ambiental, além de documentar a diversidade das madeiras catarinenses.

O termo xiloteca tem origem nas palavras gregas xýlon, que significa madeira, e théke, coleção ou guarda. Na prática, trata-se de uma coleção científica formada por amostras catalogadas de madeira. Cada peça permite observar características relacionadas à espécie, à origem e às condições ambientais em que a árvore se desenvolveu.

Segundo o presidente da AJBF, pesquisador Dr. Zenório Piana, a transferência do acervo para o Jardim Botânico garante a preservação das peças e amplia sua utilização para pesquisa, conservação e divulgação científica.

“Uma xiloteca não conserva apenas madeira. Ela conserva conhecimento sobre as florestas, sobre o clima do passado e sobre a relação entre as pessoas e as árvores”, afirma o secretário adjunto de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, William Nunes.

Exposição mostra a história registrada nas árvores

A exposição propõe uma observação da madeira para além de sua utilização no cotidiano. O percurso apresenta como o tronco de uma árvore pode registrar as condições ambientais às quais ela foi submetida ao longo da vida.

Marcas como curvas, nós e deformações podem revelar efeitos da incidência de luz, dos ventos, de períodos de seca, da inclinação do terreno e até da perda de galhos durante tempestades.

Outro núcleo da exposição é dedicado aos anéis de crescimento. Formados a cada ciclo anual, eles podem indicar períodos de maior ou menor desenvolvimento da árvore. Anéis mais largos estão associados a fases de crescimento intenso, enquanto anéis estreitos podem registrar períodos de condições ambientais adversas, como secas e temperaturas baixas.

O público também poderá conhecer uma instalação que apresenta espécies exóticas suspensas em diferentes alturas, de acordo com a densidade de cada madeira. As amostras mais leves ficam nas posições superiores, enquanto as mais densas permanecem próximas ao solo. O conjunto reúne madeiras de árvores originárias de diferentes regiões do mundo, incluindo América do Norte, América Central, Europa, África, Ásia e Oceania.

A mostra inclui ainda fragmentos de madeira petrificada, formada quando minerais substituem a matéria orgânica ao longo de milhões de anos sem destruir a estrutura original. Há também um núcleo dedicado à nomenclatura científica das espécies e um painel que apresenta a presença da madeira na produção artística, como esculturas, máscaras, instrumentos musicais, xilogravuras e arte sacra.

Araucária de 44 metros será incorporada ao acervo

Uma das peças de maior destaque da xiloteca deverá chegar ao Jardim Botânico até o fim do ano. Trata-se de um disco retirado do tronco do chamado Pinheirão, quarta maior araucária (Araucaria angustifolia) do Brasil.

A árvore estava na Estação Experimental da Embrapa, em Caçador, no Meio-Oeste catarinense, e tombou em maio deste ano. O exemplar tinha 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito.

O disco ainda passa por um processo de secagem para evitar rachaduras e garantir sua conservação. Depois de estabilizado, será encaminhado ao Jardim Botânico.

“É o disco de uma árvore que foi acompanhada por pesquisadores durante décadas. Assim que estiver estabilizada, ela vem para o Jardim Botânico. Vai ser a estrela da nossa exposição”, afirma o gerente do Jardim Botânico de Florianópolis, Roberto Amaro.

Serviço

O quê: Inauguração da primeira xiloteca pública de Florianópolis
Quando: Sábado, 22 de agosto, às 10h
Onde: Jardim Botânico de Florianópolis – Rodovia Admar Gonzaga, 742 a 782, Itacorubi
Quanto: Gratuito
Visitação: Terça a domingo, das 7h às 19h

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