
Florianópolis recebe nesta semana uma etapa piloto do primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, que será realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em todo o país em 2028. A capital catarinense foi escolhida para representar a região Sul, ao lado de Manaus, Salvador, Belo Horizonte e Goiânia, selecionadas por critérios técnicos relacionados ao fluxo migratório e à diversidade de origens da população.
O trabalho tem como objetivo testar a metodologia que será utilizada no levantamento nacional, incluindo o mapeamento dos locais de permanência e circulação, a abordagem dos moradores e a aplicação de questionários eletrônicos. A coleta ocorre principalmente no período noturno, quando a população em situação de rua tem maior visibilidade, e conta com o apoio de equipes da Prefeitura de Florianópolis e de instituições que prestam atendimento a esse público. Segundo o IBGE, a etapa também permite identificar dificuldades enfrentadas pelos recenseadores e avaliar os sistemas utilizados em campo.
De acordo com o superintendente regional do IBGE, Roberto Kern Gomes, a escolha de Florianópolis levou em consideração características específicas da cidade. O gerente de planejamento do censo, Bruno Mandelli, explicou que o levantamento busca reunir informações sobre trajetórias de vida e migração, além de aspectos relacionados à renda, vínculos familiares e saúde. “O objetivo é conseguir aplicar formulários e fazer entrevistas, ou ao menos identificar as pessoas. A ideia é apurar trajetos de vida, de migração e até aspectos relacionados à saúde”, afirmou.
A realização do censo deverá servir de base para o planejamento de políticas públicas de médio e longo prazo voltadas à população em situação de rua. Em Santa Catarina, o tema também é acompanhado pela Assembleia Legislativa, que aprovou a Lei Estadual nº 19.380/2025, criando um cadastro estadual para esse público. A legislação prevê o uso das informações para formulação de políticas, atendimento, reinserção social e acompanhamento das condições sociais e de saúde, com integração ao CadÚnico sempre que possível e observância à Lei Geral de Proteção de Dados. Levantamentos apresentados na Alesc apontam crescimento de 76% da população em situação de rua no Estado entre 2021 e 2023, com estimativa de mais de 10 mil pessoas.
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