
O Centro de Valorização da Vida (CVV) mantém uma rede de atendimento voltada ao apoio emocional e à prevenção do suicídio, com serviço gratuito e sigiloso disponível 24 horas por dia. Pelo telefone 188, qualquer pessoa pode conversar com um voluntário, sem a necessidade de informar nome, telefone ou endereço. O atendimento também pode ser realizado por e-mail e chat.
A estrutura do CVV é formada por cerca de 2.400 voluntários em todo o Brasil, que se revezam para garantir o funcionamento contínuo do serviço. A proposta é oferecer um espaço de escuta para pessoas que estejam passando por momentos de sofrimento emocional, solidão ou outras situações que despertem a necessidade de conversar. “Uma rede de apoio e de empatia”, define Adriana Rizzo, voluntária que atua há 30 anos na instituição.
Escuta e acolhimento sem julgamentos
No atendimento, os voluntários são orientados a ouvir e acolher sem aconselhar, criticar ou julgar as decisões relatadas por quem procura o serviço. A intenção é permitir que a pessoa possa falar sobre o que está vivendo e encontrar, naquele momento, alguém disposto a escutá-la. Para Adriana, esse tipo de atendimento permite compreender situações que muitas vezes não são percebidas nas relações cotidianas.
A formação dos voluntários é uma das etapas para integrar a rede. Pessoas com mais de 18 anos interessadas em participar passam por um treinamento que prepara para a dinâmica dos atendimentos, abordando o funcionamento do CVV, o perfil de quem procura o serviço e diferentes situações que podem surgir durante as conversas. A preparação também inclui atividades práticas e simulações. “Fazemos treinamentos práticos, simulações de situações que atendemos com maior frequência”, explica Adriana.
Voluntariado sustenta a rede de atendimento
A atuação voluntária é fundamental para manter o serviço disponível durante todos os dias da semana. Cada integrante dedica parte da rotina aos plantões, contribuindo para que a rede consiga atender pessoas em diferentes regiões do país. Adriana, por exemplo, dedica três horas por semana ao CVV e considera o trabalho uma forma de contribuir com a sociedade. “Como voluntário do CVV, a gente se dispõe a doar atenção. São três horas por semana para conversar com as pessoas que estão precisando”, afirma.
Ao longo dos anos, o CVV passou a receber relatos relacionados a diferentes situações pessoais e emocionais. Entre eles estão casos de pessoas que, mesmo convivendo diariamente com familiares, amigos ou colegas, relatam sentimentos de solidão. “As que mais me marcam são aquelas de pessoas que estão cercadas de outras pessoas, mas se sentem sozinhas”, conta Adriana. A experiência reforça um dos princípios do serviço: a presença de outras pessoas nem sempre significa que alguém esteja se sentindo ouvido ou acolhido.
Além da manutenção dos plantões, o CVV busca ampliar o número de voluntários e conta com o apoio da sociedade para fortalecer suas atividades. O serviço orienta que pessoas em sofrimento procurem alguém de confiança e não enfrentem sozinhas períodos de dificuldade. “Se você não estiver bem, busque ajuda. Converse com alguém em quem confia, com amigos ou familiares. Não fique sozinho”, reforça Adriana. O telefone 188 permanece disponível gratuitamente em todo o Brasil, 24 horas por dia.
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