
Uma empresa que tem entre os sócios o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) está registrada no mesmo endereço utilizado por pelo menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado pela Polícia Federal no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
A informação foi publicada nesta sexta-feira (11) pelo ICL Notícias. A Bravo Grafeno, empresa de capacetes aberta em junho de 2024, aparece cadastrada na Sala 2601, bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. O mesmo endereço consta em registros de empresas relacionadas a Antunes.
Preso preventivamente desde setembro de 2025, Antunes é apontado pelas investigações como um dos principais operadores do esquema apurado na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
Segundo o levantamento do ICL, outra conexão está na estrutura contábil. A Bravo Grafeno teria utilizado serviços da Voga Serviços Contábeis, de Alexandre Caetano dos Reis. Ele foi sócio de Antunes em uma empresa offshore registrada nas Ilhas Virgens Britânicas e está preso desde dezembro de 2025.
Alexandre também é apontado como responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro. A irmã dele, Letícia Caetano dos Reis, é administradora do escritório.

A Bravo Grafeno tem capital social de R$ 100 mil e, além dos irmãos Bolsonaro, possui outros três sócios: Pedro Luiz Dias Leite, Paulo Giordano Bernardi e Fernando Nascimento Pessoa, ex-assessor de Flávio que já foi investigado no caso das chamadas “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O ex-presidente Jair Bolsonaro também já integrou a sociedade da empresa e participou de ações de divulgação da marca. Em março de 2025, esteve no lançamento de um capacete durante o Salão das Motopeças, em São Paulo.
Segundo o ICL, a Sala 2601 é ocupada pela estrutura da Voga Serviços Contábeis. Um advogado que recebeu a reportagem na sala vizinha confirmou que a empresa presta serviços para a Bravo Grafeno, mas negou que a Sala 2601 pertença à Voga. Funcionários encontrados no local, porém, teriam indicado à jornalista que a contabilidade também ocupava aquela sala.
A reportagem também identificou a Prospect Consultoria Empresarial entre as empresas relacionadas a Antunes registradas no endereço. Segundo dados do relatório final da CPMI citados pelo ICL, a empresa recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas. Desse montante, R$ 115,9 milhões teriam vindo da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.
O levantamento aponta ainda que oito empresas ligadas a Antunes foram abertas no mesmo dia, 5 de outubro de 2023, e registradas no endereço.
As informações apresentadas pelo ICL, no entanto, não comprovam que Flávio ou Carlos Bolsonaro tenham participado do esquema investigado pela Polícia Federal. A reportagem aponta coincidências de endereço e relações empresariais e profissionais entre pessoas e empresas que aparecem nas investigações.
Flávio Bolsonaro já negou envolvimento no caso. Procurado pelo ICL para comentar as novas informações, ele não havia se manifestado até o fechamento da reportagem. Carlos Bolsonaro e os demais integrantes da Bravo Grafeno também foram procurados e não responderam. A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes igualmente não havia se manifestado.
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