Ponte Joinville entra em nova etapa com construção do principal vão sobre o rio Cachoeira


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Redação Santa Catarina em Pauta

Trecho de 160 metros será construído pelo método do balanço sucessivo, sem pilares dentro do rio – Foto: Divulgação/PMJ

A construção da Ponte Joinville entrou em uma nova fase com o início da execução do principal vão da estrutura, que terá 160 metros de extensão sobre o rio Cachoeira. O trecho será construído pelo método do balanço sucessivo, técnica que permite avançar com a estrutura a partir dos pilares sem a necessidade de instalar apoios no leito do rio.

Duas das quatro aduelas de arranque previstas para a ponte já foram concluídas. Essas estruturas são construídas sobre os pilares e funcionam como ponto de partida para a formação dos segmentos de concreto que avançam em direção ao centro do vão.

Ao todo, a Ponte Joinville terá aproximadamente 980 metros de extensão. As duas aduelas de arranque já finalizadas ficam no lado do Boa Vista. Outras duas serão construídas no lado do Adhemar Garcia, após a conclusão das estacas e dos blocos de fundação.

O principal vão será formado por 20 aduelas. Os seis primeiros segmentos terão 2,80 metros de comprimento. Depois, as peças passarão a ter quatro metros. A altura também será reduzida gradualmente, de cerca de 8,05 metros para 3,16 metros, conforme a estrutura avança em direção ao centro do rio.

A construção das aduelas envolve a montagem das formas, instalação das armaduras e dos elementos destinados aos cabos de protensão. Depois da concretagem e do alcance da resistência necessária, os cabos são tensionados para aumentar a capacidade estrutural da ponte.

Nas primeiras quatro aduelas, o processo ainda conta com o apoio de uma estrutura provisória de sustentação, chamada cimbramento. Por isso, os carros de avanço, equipamentos metálicos que funcionarão como suportes móveis para a construção dos próximos segmentos, ainda não estão sendo utilizados.

A partir das etapas seguintes, dois carros de avanço serão instalados sobre as aduelas de arranque, um em cada direção. Os equipamentos permitirão que os segmentos sejam construídos simultaneamente, mantendo o equilíbrio das cargas enquanto a estrutura avança em direção ao centro do vão.

Quando os dois lados estiverem próximos, será construída a aduela de fechamento, responsável por unir os segmentos e completar o vão de 160 metros.

A opção pelo balanço sucessivo também evita a instalação de pilares dentro do rio. A técnica tem uma relação histórica com Santa Catarina. Na década de 1930, o engenheiro catarinense Emílio Henrique Baumgart utilizou uma solução pioneira semelhante na construção da ponte sobre o Rio do Peixe, entre Joaçaba e Herval d’Oeste.

Na obra, o vão de 68,50 metros foi construído a partir das margens em direção ao centro do rio, sem escoramentos apoiados no terreno. A solução contribuiu para destacar Baumgart na história da engenharia estrutural brasileira.

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