STF suspende extradição de russo que vive em Florianópolis até análise de pedido de refúgio


Foto de Redação Santa Catarina em Pauta

Redação Santa Catarina em Pauta

Supremo Tribunal Federal suspendeu o processo de extradição de Nikolai Fedorov até a conclusão da análise de seu pedido de refúgio pelo Conare. Foto: Magnific

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o processo de extradição do cidadão russo Nikolai Fedorov, que vive em Florianópolis e é procurado pelas autoridades da Rússia por suspeita de fraude. A decisão, assinada em 20 de outubro, determina que o procedimento só poderá prosseguir após uma decisão administrativa definitiva do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) sobre o pedido de refúgio apresentado pelo estrangeiro. A prisão preventiva para extradição foi mantida.

Segundo a defesa, Fedorov participou de um movimento pacífico voltado à preservação da identidade cultural de uma minoria étnica russa. Os advogados afirmam que integrantes do grupo passaram a ser investigados e sofrer ameaças depois que suas manifestações foram classificadas como extremistas pelas autoridades russas. A defesa sustenta que o cliente deixou legalmente a Rússia, obteve autorização de residência no Brasil e passou a viver em Florianópolis.

Acusação e argumentos da defesa

O pedido de extradição apresentado pelo governo russo tem como fundamento uma acusação de fraude prevista no artigo 159 do Código Penal daquele país. A defesa contesta a motivação da acusação e afirma que ela estaria relacionada à atuação política e cultural de Fedorov. Para sustentar seus argumentos, os advogados citaram um relatório de 2026 do Relator Especial das Nações Unidas, identificado como A/HRC/63/60, sobre o uso de difusões vermelhas da Interpol pela Rússia. Essas alegações são da defesa e não representam uma conclusão definitiva do STF sobre o caso.

A suspensão foi determinada no processo de Prisão Preventiva para Extradição (PPE) 1.289 e deverá ser aplicada ao processo de Extradição 2.043. Moraes fundamentou a decisão no artigo 34 da Lei Federal nº 9.474/1997, que prevê a suspensão de processos de extradição relacionados aos mesmos fatos enquanto o pedido de refúgio não tiver decisão definitiva. A medida não significa que Fedorov tenha sido reconhecido como refugiado nem encerra o pedido de extradição. A decisão também suspende o prazo de prescrição da pretensão extradicional durante esse período.

Prisão preventiva e circunstâncias da abordagem

Apesar da suspensão da extradição, Fedorov permanecerá preso preventivamente por enquanto. A decisão menciona um registro policial sobre possível resistência durante o cumprimento da ordem de prisão. A defesa contesta essa versão e afirma que houve um mal-entendido porque os policiais estavam à paisana, não falavam russo e não apresentaram um mandado traduzido. Segundo o advogado Wilson Knöner Campos, o estrangeiro teria cooperado ao compreender que se tratava de uma abordagem policial. A defesa afirma ainda que não houve autuação nem abertura de inquérito específico por resistência.

Conforme registrado na decisão, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou circunstâncias favoráveis a Fedorov, como endereço fixo em Florianópolis, vínculos familiares, atividade remunerada e comparecimentos à autoridade migratória. Moraes observou que as circunstâncias da abordagem ainda não estão esclarecidas e indicou que a necessidade da prisão poderá ser reavaliada conforme os esclarecimentos apresentados.

Próximas etapas do processo

O ministro determinou que as informações relacionadas ao pedido de refúgio sejam tratadas sob sigilo, conforme a legislação brasileira, e também solicitou um relatório sobre o estado de saúde de Fedorov. O Conare deverá concluir a análise administrativa do pedido de proteção. Se o pedido for rejeitado definitivamente, o processo de extradição poderá voltar a tramitar no STF; caso o refúgio seja reconhecido, seus efeitos deverão ser observados conforme a legislação aplicável. Enquanto isso, a defesa pretende esclarecer as circunstâncias da prisão e pedir nova avaliação da custódia.

Acesse o nosso Canal no WhatsApp!

Criamos um canal oficial no WhatsApp — e você já pode fazer parte!

Mais agilidade, mais bastidores, mais DENÚNCIAS direto no seu celular.

Sem grupos, sem conversas, só informação exclusiva, com a credibilidade do Santa Catarina em Pauta.

Acesse e siga agora:

https://whatsapp.com/channel/0029Vb6oYQTEgGfKVzALc53t

E NÃO ESQUEÇA DE ATIVAR O SININHO PARA RECEBER TUDO EM TEMPO REAL!