
Palhoça está entre os municípios pioneiros de Santa Catarina na implantação do teste molecular DNA-HPV, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o rastreamento do câncer do colo do útero. Entre julho e outubro de 2026, a rede municipal de saúde realizou 5.342 coletas do exame, como parte de um projeto piloto desenvolvido no estado.
A iniciativa integra uma estratégia nacional do Ministério da Saúde, que anunciou, em 28 de outubro, a disponibilidade do exame em 26 unidades da Federação. A implantação ocorre gradualmente, com a participação de municípios na organização dos serviços de coleta e acompanhamento das pacientes.
Em Palhoça, foram registradas 1.727 coletas em julho, 1.269 em agosto, 854 em setembro e 1.492 em outubro. Os números representam uma média superior a 1.300 procedimentos por mês durante o período analisado.
Exame identifica HPV antes do aparecimento de lesões
Diferentemente do exame preventivo tradicional, conhecido como Papanicolau, o teste DNA-HPV identifica a presença de tipos do Papilomavírus Humano associados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, incluindo os tipos 16 e 18, considerados de alto risco.
A tecnologia permite detectar a infecção antes do surgimento de lesões, possibilitando o acompanhamento das pacientes e a investigação de eventuais alterações. Nos casos em que o resultado é negativo, o intervalo entre os exames pode chegar a cinco anos, conforme os critérios estabelecidos para o rastreamento.
Segundo o Ministério da Saúde, foram realizadas 153 mil coletas no Brasil desde o início da estratégia, considerando os anos de 2025 e 2026. Desse total, 93 mil amostras foram processadas em 2026, com a identificação de 9.904 resultados positivos para HPV de alto risco.
Município amplia oferta de atendimento ginecológico
Além da realização dos testes, a Secretaria Municipal de Saúde de Palhoça informou que contratou médicos ginecologistas e ampliou a oferta de colposcopias, procedimento utilizado para examinar detalhadamente o colo do útero e investigar possíveis alterações.
A ampliação dos serviços tem como objetivo garantir a continuidade do atendimento às mulheres cujos resultados indiquem necessidade de investigação complementar, incluindo acompanhamento especializado e encaminhamentos dentro da rede municipal de saúde.
Estimativa é de 19,3 mil novos casos anuais no Brasil
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil poderá registrar aproximadamente 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028.
A doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que torna o rastreamento regular uma das medidas de prevenção e identificação precoce de alterações. A vacinação contra o HPV também integra as estratégias de prevenção.
A implantação do teste DNA-HPV em Palhoça faz parte da ampliação gradual do método na rede pública de saúde. O município participa dessa etapa com a realização das coletas e a organização do atendimento especializado para pacientes que necessitem de investigação complementar.
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