
Entre o início de janeiro e o final de março de 1990 Vilson Kleinubing viveu um dos mais atribulados períodos de sua história política. Ainda Prefeito de Blumenau, ele convivia com a perspectiva de sua renúncia ao cargo, em abril, para disputar o Governo do Estado em outubro. Sua provável decisão de abandonar o mandato o angustiava por diversos motivos.
O primeiro deles era a solene promessa, proferida na campanha eleitoral de 1988, de que permaneceria no posto até o final do seu período de quatro anos como Prefeito. O atenuante, para esse dilema, estava sendo proporcionado pelos próprios destinatários da promessa: os eleitores de Blumenau, em diversas pesquisas e enquetes, manifestavam com clareza que apoiavam o projeto Kleinubing Governador. Contudo, ainda assim, as dúvidas não o abandonavam.
O nome da intranquilidade.

A segunda das razões da inquietação de Vilson era a possibilidade de que, vindo a decidir pela renúncia, não conseguisse viabilizar a candidatura.
Essa última causa de desassossego tinha um nome bem conhecido dos catarinenses: Esperidião Amin Helou Filho, ex-Governador do Estado e, na época, Prefeito de Florianópolis. Amin, amigo de Kleinubing, possivelmente desde que ainda tinha barba e cabelo, queria, novamente, governar Santa Catarina. Eu o conhecia desde 1979 quando, já sem cabelo, mas, com uma vasta barba, ele tinha sido o Secretário de Transportes do Governo Jorge Bornhausen, época em que ocupei, primeiro, a função de Secretário-Adjunto do Planejamento e, depois, incluindo o período em que Henrique Córdova foi o Governador, a de Secretário da Educação.
A disputa interna: quem será candidato – Kleinubing ou Amin?

Instado a dar meu palpite na época, sugeri o que me parecia evidente. O candidato seria um dos dois postulantes, mas, com ambos na mesma chapa. Não se tratava de uma decisão se PFL ou PDS teriam qual candidato, cada um separadamente, mas, sim, como seria composta a chapa dos dois partidos, juntos e coligados. Claro que eu visualizava Vilson para o Governo e Esperidião para o Senado, mas, naquele momento, não seria politicamente correto anunciar essa preferência.
Evitando repetir o erro passado: dois concorrentes em busca de consenso.

Certamente os dois estavam perfeitamente de acordo em relação a um ponto: não podiam repetir o erro político que seus partidos haviam cometido quatro anos antes. Em 1986, o robusto PDS de Amin e o recém-criado PFL de Jorge Bornhausen e Kleinubing, disputaram a eleição separados. Dividiram os votos que costumavam somar e o resultado da equação foi a vitória do MDB. Vilson Kleinubing do partido menor e ainda desorganizado chegou em segundo lugar, Amilcar Gazaniga do partido do Governador foi um distante terceiro, e o vencedor foi Pedro Ivo Campos, do partido adversário de ambos.
Próxima coluna.

Conversando, os competidores começam a se entender em torno de um mesmo argumento.




