
Para combater o número alarmante de casos de assédio sexual nas escolas da rede pública estadual, a Secretaria de Estado da Educação terá a sua corregedoria. O setor será responsável por apurar, com autonomia, todas as denúncias contra professores e demais servidores da rede de ensino. O anúncio oficial acontecerá entre os dias 16 e 18 deste mês, dependendo apenas da confirmação da agenda do governador Jorginho Mello (PL).
A decisão de criar a corregedoria foi tomada pela secretária de Estado da Educação, Luciane Ceretta, junto com sua equipe, devido às graves denúncias que têm sido feitas por alunos. Conforme publiquei com exclusividade há alguns dias, somente neste ano já são 21 casos registrados, restando apenas três para chegar aos 24 denunciados no ano passado contra professores por assédio, relações consumadas e interações inapropriadas com alunos.
De acordo com Luciane, a corregedoria se somará a outras ações, a exemplo do programa “Escola que Respeita: Educação para Relações Saudáveis”, lançado em março. A ideia é, por meio de ações pedagógicas, trabalhar na prevenção da violência contra mulheres e meninas no ambiente escolar. “É uma cultura que precisa ser construída”, afirmou a secretária.
Uma preocupação da secretaria, conforme Ceretta, é com a rotatividade de professores ACTs, que hoje são mais de 30 mil em sala de aula na rede pública de ensino. Ela me disse que tem conversado com outros estados sobre o desafio que é combater o assédio a alunos e observou que, em vários lugares do país, o problema se repete.
Quanto à atuação da corregedoria, Ceretta adianta que haverá total autonomia para atuar. Tanto que, além da corregedora, que já estaria definida — sendo uma servidora de carreira com formação em Direito —, também haverá servidores da assessoria jurídica da secretaria. Para Luciane, os casos serão resolvidos com maior celeridade, além de facilitar o diálogo com outros órgãos, a exemplo do Ministério Público.
Também nos próximos dias será lançado o Programa Acolher, que será direcionado aos professores. A ideia é trabalhar a chamada “terapia da escuta”, buscando apoiar a saúde mental dos profissionais que apresentarem sinais de esgotamento e cansaço.
Números
Além dos casos de assédio, no total, em 2025 foram 272 denúncias de irregularidades envolvendo professores na rede pública estadual de ensino. Destas, resultaram em três advertências, 75 arquivamentos, quatro demissões, 37 dispensas de ACTs, 22 suspensões, além de 54 assinaturas de Termo de Ajustamento de Conduta e 38 processos que seguem em andamento. Neste ano, já são 134 denúncias, sendo 53 em andamento, uma advertência, 15 arquivamentos e duas assinaturas de TAC. Os arquivamentos e os TACs não são repassados ao Ministério Público, ao contrário dos casos graves que resultem em demissões, dispensas e suspensões.
CPI

Corre nos bastidores que a assinatura que falta para completar as 14 necessárias para a abertura da CPI do Cão Orelha na Assembleia Legislativa poderá sair do MDB. Os deputados estaduais Mauro De Nadal e Tiago Zilli estariam sendo convencidos a assinar. Além disso, há deputado do PL também sendo pressionado por seus eleitores a colocar a sua assinatura no pedido de abertura da CPI. Seria Marcius Machado (PL), defensor da causa animal. Ele estaria entre a cruz e a espada, ou melhor, entre o governo e os defensores da causa.
Lunelli ao Senado

Há algum tempo publiquei, em primeira mão, que o deputado estadual Antídio Lunelli (MDB) poderia disputar uma vaga ao Senado ao lado do senador Esperidião Amin (Progressistas). Depois, houve a negativa, seguida de uma brincadeira na sessão da Assembleia Legislativa em Araranguá, quando os deputados Mauro De Nadal, Volnei Weber e Tiago Zilli tiraram uma foto ao lado de Lunelli segurando um papel escrito “Senador Coragem”. Ontem, conforme relatado pelo colega Upiara Bosch, ocorreu uma reunião do deputado com os caciques do PSD, MDB e da Federação União Progressista. A informação me foi confirmada por uma fonte ligada ao MDB, que disse ser questão de poucos dias para haver uma resposta. Mas adiantou que ela deverá ser positiva.
Ponto Zero

A partir das 8h05, convido você a assistir ao Ponto Zero, o noticiário matinal do Santa Catarina em Pauta. As primeiras informações que serão assunto ao longo do dia em todo o estado. Assista pelo YouTube ou acompanhe pelas redes sociais no Instagram, Facebook e X. O programa tem a apresentação da jornalista Adriane Werlang, com os meus comentários sobre política e economia estadual, além das participações dos colegas Anderson de Jesus, do Sul do estado; Arnaldo Zimermann, do Vale do Itajaí; Jean Carlo Lima, da Serra; e Luiz Veríssimo, do Norte do estado. Em breve, também teremos comentários diretamente do Oeste. Clique no link para assistir: ( https://www.youtube.com/watch?v=f2aJwJmIjJ0 )
Marqueteiro
É possível que nesta semana a pré-campanha de João Rodrigues (PSD) feche com um marqueteiro. A leitura é que sobraram poucos no mercado e que foi perdida a oportunidade de contar com João Santana, considerado um dos maiores nomes do marketing político do país. A resistência a Santana por ter atuado nas campanhas de Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT) é vista como um equívoco frente aos marqueteiros que já estão confirmados para atuar na disputa ao Governo do Estado.
Contra o PT
Para se ter uma ideia, o marqueteiro João Santana atuará em pelo menos três campanhas de adversários do PT. Coordenará Ciro Gomes (PSDB) na disputa ao Governo do Ceará, ACM Neto (UB), na Bahia, e Allyson Bezerra (UB), no Rio Grande do Norte.
Com Jorginho

Conforme antecipei, o PSDB anunciará apoio ao governador Jorginho Mello (PL). O encontro acontece hoje. Articulado pelo presidente estadual, deputado Marcos Vieira, o apoio já era dado como certo desde o início do ano. Alguns setores, liderados por nomes como Gilmar Knaesel, preferiram se aliar ao pré-candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD). Porém, a maioria optou por seguir Vieira no apoio à reeleição do governador.
Precedente perigoso

Conforme publiquei em vídeo nas redes sociais do Santa Catarina em Pauta, a Câmara de Vereadores de Joinville abriu, ontem, ao cassar o mandato de Cleiton Profeta (PL), uma porta perigosa para a política no estado. Embora seja motivo de reprovação a perda do decoro ao se usar palavras de baixo calão durante as sessões — e Profeta fez isso durante algumas discussões —, ficou evidente que os vereadores, que, em sua maioria, são governistas, votaram pela cassação muito mais pelos posicionamentos críticos de Profeta à gestão do ex-prefeito Adriano Silva (Novo) do que pela falta de respeito em si. Antes de cassar, a pena deveria ter sido outra, menos traumática. Mas o que fizeram foi tirar do cenário uma voz dissonante, como se, na democracia, não pudesse haver críticas e oposição.
Se for assim
Com a decisão de ontem, alguns casos poderiam ser vistos também na Assembleia Legislativa e em outras câmaras de vereadores, onde parlamentares têm perdido a compostura e falado abertamente palavrões durante as sessões. Cleiton Profeta (PL) merecia, sim, uma sanção, algo educativo que mudasse o seu comportamento. Porém, por uma questão meramente política e por interesse da administração municipal de Joinville, cassou-se não somente um vereador, mas também os 3.225 eleitores que votaram nele.
Licença

Corre uma informação de bastidores de que o vereador de Balneário Camboriú, Renan Bolsonaro (PL), poderá se licenciar no período eleitoral para fazer campanha a deputado federal. Neste caso, Arlindo da Cruz (PL) assumiria a vaga. Além dele, o vereador Anderson dos Santos (PL) deve assumir uma secretaria na gestão da prefeita Juliana Pavan (PSD), abrindo espaço para o suplente Jone Moi (PL).
Fugir do debate
Nos bastidores, é dito que a ideia de uma licença de Renan Bolsonaro (PL) da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú seria para fugir do debate com lideranças do PT. Acontece que o vereador Eduardo Zanatta (PT) é pré-candidato a deputado federal e deve se licenciar, dando espaço para o professor Aristo Pereira (PT), que é considerado um bom orador e extremamente ideológico. No entorno de Renan, o melhor é evitar qualquer confronto dele com Aristo.
Perdeu a oportunidade

Uma avaliação feita por vereadores da direita e da esquerda de Balneário Camboriú é que o vereador Eduardo Zanatta (PT), que também é considerado um bom orador, perdeu a oportunidade de crescer politicamente em cima das fragilidades de Renan Bolsonaro (PL). Com grande dificuldade de comunicação, Renan, no início da legislatura, era visto como uma presa fácil para o petista. Porém, Zanatta, segundo relatos, não teria aproveitado a oportunidade de travar debates com Renan, o que o fez perder a chance de chegar à eleição deste ano com maior musculatura política.







