
O presidente Donald Trump deu mais um passo para ampliar as barreiras comerciais contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou que divulgará nas próximas horas, no Federal Register — equivalente ao Diário Oficial do Brasil — a relação de produtos brasileiros que passarão a ser atingidos pelas novas tarifas. Há uma grande preocupação no setor industrial de Santa Catarina com os impactos da decisão.
As medidas são fundamentadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo que autoriza o USTR a investigar e aplicar sanções comerciais contra países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem empresas ou interesses econômicos dos Estados Unidos.
Em junho, o órgão já havia recomendado a imposição de sobretaxas sobre produtos brasileiros. Entre as justificativas apresentadas estão supostas práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — incluindo o Pix —, política tarifária, proteção à propriedade intelectual, acesso de etanol americano ao mercado brasileiro e questões ambientais relacionadas ao desmatamento ilegal.
Outro argumento apresentado pelo governo americano é que o Brasil concede vantagens comerciais a países como Índia e México sem estender as mesmas condições aos produtos dos Estados Unidos, o que, na avaliação de Washington, gera um ambiente de concorrência desigual.
A decisão também ocorre em um momento considerado estratégico pela Casa Branca. Em 24 de julho expira o prazo de 150 dias de vigência da tarifa global de 10% adotada pelo governo Trump após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegais grande parte das tarifas impostas ao longo de 2025. Em vigor desde 20 de fevereiro, essa cobrança foi baseada na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite apenas a adoção de tarifas temporárias. Para manter a taxação após esse período, o governo precisaria encaminhar a medida ao Congresso e obter aprovação dos parlamentares, cenário cuja viabilidade ainda é incerta.







