
O Instituto de Pesquisa Catarinense, contratado pela Associação Catarinense de Jornais (ACJ), divulgou hoje os números da pesquisa de intenção de voto para o Senado em Santa Catarina.
A disputa pelas duas vagas ao Senado ainda não está definida. Caroline de Toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL) e Esperidião Amin (Progressistas) formam, neste momento, o grupo dianteiro, com diferenças pequenas demais para permitir uma conclusão sobre quem está na frente.
Na soma do primeiro e do segundo votos, Caroline aparece com 39%, Carlos Bolsonaro com 38,6% e Amin com 34,1%. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, Amin está tecnicamente muito próximo dos dois candidatos do PL. A distância para Caroline é de 4,9 pontos, enquanto a diferença para Carlos é de 4,5 pontos.
O desempenho de Amin merece atenção justamente por apresentar maior equilíbrio entre as duas escolhas do eleitor. Ele tem 17,8% no primeiro voto e 16,3% no segundo. Isso indica uma candidatura que não depende apenas de uma preferência principal, mas que também consegue ser lembrada como alternativa. Em uma eleição na qual cada eleitor vota duas vezes, essa capacidade de circular entre o primeiro e o segundo voto pode ser decisiva.
Caroline de Toni apresenta um comportamento diferente. Ela aparece apenas na quarta posição no primeiro voto, com 14,4%, atrás de Carlos Bolsonaro, Amin e Décio Lima (PT). No entanto, lidera com ampla vantagem o segundo voto, alcançando 24,6%.
Isso não significa necessariamente fragilidade. A leitura possível é que Caroline ainda não ocupa, para uma parcela do eleitorado, o posto de primeira escolha, mas possui elevada aceitação como segundo nome. Em uma disputa com duas vagas, essa característica pode ser tão relevante quanto liderar o primeiro voto. Ao mesmo tempo, o dado mostra que a deputada precisa trabalhar para transformar essa aceitação complementar em preferência principal, especialmente diante da presença de Carlos Bolsonaro no mesmo partido.
A candidatura de Carlos Bolsonaro apresenta a lógica inversa. Ele lidera o primeiro voto com 27,4%, mas cai para 11,1% no segundo. O resultado sugere uma preferência mais intensa e concentrada: Carlos aparece como escolha prioritária para uma parcela expressiva do eleitorado, mas é menos citado como composição de chapa.
Vale destacar que o desafio para o PL será administrar essa distribuição entre dois candidatos competitivos. A presença de Carlos e Caroline fortalece o partido na soma geral, mas também pode produzir uma disputa interna pela prioridade do eleitor. O desempenho final dependerá da capacidade dos liberais de convencer seus apoiadores a votar nos dois nomes, evitando que parte do eleitorado entregue o segundo voto a Amin.
Décio Lima aparece com 27% na soma dos votos, distante do trio da frente, mas ainda consolidado como o principal nome da esquerda. Ele registra 16,8% no primeiro voto e 10,2% no segundo.
A questão é saber se Décio já se aproxima do teto eleitoral do campo progressista aqui no estado. Na eleição de 2022 para o Governo do Estado, ele obteve 17,42% no primeiro turno e chegou ao segundo turno, quando alcançou 29,31% dos votos válidos. Esses números mostram que existe uma base eleitoral relevante, mas também evidenciam a dificuldade histórica de expansão da esquerda em uma disputa majoritária estadual.
Os 27% da pesquisa não devem ser tratados automaticamente como teto. Décio ainda pode crescer com a consolidação da candidatura, maior exposição e transferência de votos de eleitores hoje indecisos. Porém, o levantamento sugere que ele já concentra boa parte do eleitorado mais identificado com a esquerda. O desafio será buscar votos entre eleitores independentes e moderados, especialmente porque 36,4% dos entrevistados se classificam como independentes, enquanto 19,5% se posicionam à esquerda ou à extrema esquerda.
Antídio Lunelli (MDB), com 11,3% na soma, está hoje fora do grupo dianteiro. O emedebista registra 7% no primeiro voto e 4,4% no segundo.
Seu potencial de crescimento depende de fatores diferentes dos candidatos do PL e do PT. Lunelli pode tentar ocupar o espaço de centro e centro-direita, se apresentando como uma alternativa menos polarizada. Ele também conta com a estrutura do MDB, partido com forte presença nos municípios, e com uma votação expressiva obtida para deputado estadual em 2022, quando foi eleito com 74,5 mil votos.
Porém, para se aproximar do grupo dianteiro, Antídio precisaria mais do que crescimento gradual. A diferença entre os seus 11,3% e os 34,1% de Amin é de 22,8 pontos. Isso indica que ele ainda precisa ampliar a sua visibilidade, e se tornar uma opção frequente para o segundo voto. Seu espaço existe, especialmente entre os 24,1% que ainda não sabem em quem votar considerando a soma das duas escolhas, mas a pesquisa mostra que essa aproximação ainda não ocorreu.
Indecisos
O alto número de indecisos é, aliás, um dos principais elementos do levantamento. No primeiro voto, 7,2% não sabem em quem votar. No segundo, o índice sobe para 16,9%. Além disso, brancos e nulos somam 5,5% no primeiro voto e 8,8% no segundo.
Isso mostra que o segundo voto está mais aberto e menos consolidado. É justamente nesse espaço que Caroline aparece mais forte, Amin mantém equilíbrio, Décio tenta ampliar seu alcance e Antídio precisa crescer para entrar na disputa real.
1º voto para o Senado
Carlos Bolsonaro (PL) – 27,4%
Esperidião Amin (PP) – 17,8%
Décio Lima (PT) – 16,8%
Caroline de Toni (PL) – 14,4%
Antídio Lunelli (MDB) – 7,0%
Jeferson Rocha (PRD) – 2,0%
Afrânio Boppré (PSOL) – 1,9%
Não sabe – 7,2%
Branco/Nulo – 5,5%
2º voto para o Senado
Caroline de Toni (PL) – 24,6%
Esperidião Amin (PP) – 16,3%
Carlos Bolsonaro (PL) – 11,1%
Décio Lima (PT) – 10,2%
Afrânio Boppré (PSOL) – 5,0%
Antídio Lunelli (MDB) – 4,4%
Jeferson Rocha (PRD) – 2,8%
Não sabe – 16,9%
Branco/Nulo – 8,8%
Soma do 1º e 2º votos
Caroline de Toni (PL) – 39,0%
Carlos Bolsonaro (PL) – 38,6%
Esperidião Amin (PP) – 34,1%
Décio Lima (PT) – 27,0%
Antídio Lunelli (MDB) – 11,3%
Afrânio Boppré (PSOL) – 7,0%
Jeferson Rocha (PRD) – 4,7%
Não sabe – 24,1%
Branco/Nulo – 14,3%
Ficha técnica
A pesquisa foi realizada pelo IPC (Instituto de Pesquisa Catarinense), contratado pela Associação Catarinense de Jornais (ACJ), entre os dias 9 e 13 de julho de 2026, com 1.050 entrevistas presenciais realizadas em 54 municípios catarinenses. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números BR-09576/2026 e SC-09951/2026.






