Carlos Bolsonaro investigado; os dissidentes do MDB; a leitura da esquerda sobre o segundo turno e outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Inquérito apura suspeitas de desvio de recursos públicos através de funcionários fantasmas – Imagem: Divulgação

O Ministério Público do Rio de Janeiro intensificou as medidas relacionadas às investigações sobre um suposto esquema de rachadinha no antigo gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL). Em ação por improbidade administrativa, o órgão cobra a devolução de R$ 1,9 milhão aos cofres públicos, valor que, segundo a acusação, corresponde aos recursos desviados por meio da devolução de parte dos salários de assessores parlamentares. Sete ex-integrantes do gabinete estão sendo investigados. Carlos não é réu dessa ação, mas continua sendo investigado em outro procedimento.

Segundo o MP, entre 2005 e 2021, o então chefe de gabinete Jorge Luiz Fernandes recebia, de forma sistemática, valores repassados por assessores parlamentares lotados no gabinete. A investigação aponta que ele exercia papel central na operacionalização do esquema e era o principal beneficiário dos recursos.

As apurações também indicam a participação de Regina Célia Sobral Fernandes, esposa de Jorge Luiz e assessora parlamentar na época. Conforme a ação, ela realizou 304 transferências bancárias ao marido, movimentando aproximadamente R$ 814 mil ao longo do período investigado.

Entre os episódios detalhados na ação está o da ex-assessora Andrea Cristina da Cruz Martins. Segundo o Ministério Público, em 2018 ela destinou R$ 112 mil a Jorge Luiz Fernandes por meio de 12 transferências bancárias. Para os promotores, a quantia corresponde a cerca de 70% de toda a remuneração recebida por ela naquele ano, percentual apontado como um dos indícios de que parte dos salários dos assessores retornava ao então chefe de gabinete.

Na ação de improbidade, o Ministério Público pede a condenação dos envolvidos à devolução dos valores considerados desviados, ao pagamento de multa, à suspensão dos direitos políticos e à perda da função pública, caso ocupem cargo público. Na esfera criminal, Jorge Luiz Fernandes e outros seis ex-assessores já respondem pelos crimes de organização criminosa e peculato.

Carlos é investigado

Embora não tenha sido incluído na ação de improbidade administrativa, o pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro (PL) segue sendo investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Em fevereiro deste ano, a Procuradoria-Geral de Justiça determinou a reabertura do inquérito que apura suspeitas de desvio de recursos públicos, por meio do suposto uso de funcionários fantasmas e da prática de rachadinha em seu ex-gabinete. A investigação também envolve outras 25 pessoas. Ao determinar a reabertura do procedimento, a PGJ entendeu que o arquivamento anterior ocorreu sem uma análise aprofundada de elementos considerados relevantes para a investigação. Entre os pontos que deverão ser reavaliados estão movimentações financeiras relacionadas a saques em espécie realizados a partir de um cofre bancário e a compra de um apartamento por Carlos Bolsonaro. O espaço está aberto para manifestação do pré-candidato ao Senado.

MDB

O MDB se prepara para a sua convenção, que acontecerá no próximo dia 1º de agosto. O encontro será realizado das 10h às 13h, no Plenário Deputado Osni Régis, na Assembleia Legislativa. Após esse horário, os emedebistas se reunirão com pessedistas e lideranças da Federação União Progressista, que também realizarão suas convenções na Alesc, para uma confraternização. Uma dúvida que ainda paira no partido é o que fazer com os dissidentes.

Posicionamentos

Krelling e Cobalchini anunciaram apoio a Jorginho – Imagem: Divulgação

A senadora Ivete Appel da Silveira e os deputados estaduais Fernando Krelling e Jerry Comper já anunciaram que estarão com o governador Jorginho Mello (PL), mesmo que, por força de lei, isso tenha que ocorrer de modo informal. Uma fonte ligada ao partido me disse ontem que, em relação ao deputado federal Valdir Cobalchini, que também anunciou apoio ao liberal, há um entendimento de que ele poderá seguir com o partido no projeto com o PSD por uma questão partidária. Porém, o experiente parlamentar, até o momento, não fez qualquer declaração. Vale lembrar que os dissidentes lideraram o movimento que levou a maioria dos prefeitos emedebistas a também anunciar apoio a Jorginho.

Investida

Chiodini trabalha para garantir o apoio dos prefeitos à aliança com o PSD – Imagem: Divulgação

Há uma forte movimentação para mudar o posicionamento dos prefeitos emedebistas, por meio dos presidentes municipais, que, em sua maioria, estão no projeto encabeçado pelo pré-candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD). Têm atuado o deputado federal Rafael Pezenti, os deputados estaduais Volnei Weber, Mauro De Nadal, Tiago Zilli e Antídio Lunelli, juntamente com o presidente estadual Carlos Chiodini, pré-candidato a vice. Questionada, a fonte não soube me dizer qual será a definição para quem é favorável ao apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Porém, os dissidentes já estão decididos a trabalhar por uma liberação sem traumas, por meio de um acordo.

Força de Antídio

Antídio conseguiu estancar novas dissidências no MDB – Imagem: Divulgação

Chamou atenção uma confidência feita pela mesma fonte ligada ao MDB: a pré-candidatura de Antídio Lunelli ao Senado animou boa parte do partido, chegando a estancar o afastamento de outras lideranças e de parte da militância, que também iria se aproximar do projeto do PL. Antídio é visto como uma peça fundamental para manter a militância motivada, diante da perspectiva de o partido manter uma cadeira no Senado.

Leitura na esquerda

Lideranças da esquerda avaliam que Lula poderá impulsionar o desempenho de Merisio – Imagem: Divulgação

Uma importante liderança da esquerda me disse que, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reeleger no primeiro turno e houver um segundo turno entre Gelson Merisio (PSB) e o governador Jorginho Mello (PL), poderá ser criado um novo cenário em Santa Catarina, colocando Merisio em boas condições na disputa. O entendimento é de que Merisio, por ser um nome mais de centro à esquerda, teria condições de atrair o apoio de partidos de centro.

Fabrício reage

Em manifestação, Fabrício afirma que não é investigado na operação Gaiola Digital – Imagem: Divulgação

Após a repercussão da Operação Gaiola Digital, do Gaeco, influenciadores passaram a tentar associar o nome do ex-prefeito de Balneário Camboriú e pré-candidato a deputado federal, Fabrício Oliveira (Republicanos), à investigação. Fabrício não é investigado. Em resposta, ele publicou um vídeo afirmando que seu nome “não é citado em nenhum processo de investigação”. Na gravação, o ex-prefeito destaca o histórico de sua gestão e questiona a motivação de quem, segundo ele, tenta vinculá-lo ao caso em pleno período pré-eleitoral. “Pode vasculhar o que quiser, pode fazer o que quiser. Vão governar, vão trabalhar, vão cuidar dos seus mandatos e das suas obrigações”, afirmou.

Feminicídios

Santa Catarina está entre os estados que registraram os maiores aumentos de feminicídios no Brasil no primeiro semestre. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o estado teve alta de 33,3% nos casos em comparação com o mesmo período de 2025, ficando atrás apenas de Goiás (113,6%), Sergipe (71,4%) e Amazonas (66,7%). O levantamento revela que, apesar da redução nacional de 2,5% nos feminicídios — de 760 para 741 vítimas entre janeiro e junho —, o avanço não foi uniforme. Nove estados apresentaram crescimento nos registros, entre eles Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Machismo

Especialistas alertam que a queda nacional deve ser interpretada com cautela. Além do aperfeiçoamento na classificação dos crimes pelas forças de segurança, a persistência da violência doméstica e do machismo estrutural continua sendo apontada como o principal fator para os assassinatos de mulheres. Em Santa Catarina, os dados evidenciam a necessidade de reforçar ações de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.

Economia cresce

Gilberto Seleme avaliou o desempenho da economia catarinense – Imagem: Fiesc

A atividade econômica de Santa Catarina acumulou crescimento de 1% entre janeiro e maio, de acordo com o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-SC), divulgado pelo Banco Central. O resultado, considerado uma prévia do PIB, ficou ligeiramente abaixo da média nacional, que avançou 1,2% no mesmo período. Para o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, o desempenho reflete a capacidade de reação da economia catarinense. Segundo ele, o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda das famílias têm compensado, em parte, os impactos negativos dos juros elevados sobre os setores mais dependentes de crédito.

Comércio lidera

O comércio foi o principal destaque da economia catarinense em maio, com crescimento de 4,7% na comparação com o mesmo mês de 2025, superando a indústria (+0,5%) e os serviços (+0,1%), conforme análise da Fiesc com base no IBCR-SC. Segundo o economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, a força do consumo mantém a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB de Santa Catarina, mesmo em um cenário de crédito restrito devido aos juros elevados. Entre os fatores que estimularam as vendas está a realização da Copa do Mundo, que impulsionou segmentos como papelaria (+52,4%), eletrodomésticos (+11,1%), equipamentos de informática (+23,1%), supermercados (+5,9%) e produtos farmacêuticos (+4,6%). Na indústria, o avanço foi sustentado principalmente pelos setores de vestuário (+12,6%) e de produtos de borracha e plástico (+18,9%).