
Os adversários dele contam, inegavelmente, com um arsenal de argumentos contrários à sua candidatura ao Senado por Santa Catarina. O principal deles – se não for o único – é o fato de ser “um carioca” que mudou seu domicílio eleitoral apenas para disputar a eleição no Estado. Mesmo com tal bombardeio, como ele se mantém na liderança desde as primeiras pesquisas eleitorais? Na mais recente delas, encomendada pelo OCP de Jaraguá do Sul, um grupo de comunicação de grande credibilidade no Estado, o filho 02 de Bolsonaro lidera no primeiro voto e na soma dos dois, na frente de um dos políticos mais respeitáveis da história recente e a deputada federal mais votada na última eleição.

Bornhausen e Bolsonaro
Em 2002, o jovem deputado federal Paulinho Bornhausen concorreu ao Senado. Logo nas primeiras pesquisas ele ficou na frente de Ideli Salvatti, Leonel Pavan, Casildo Maldaner e Hugo Biehl, mas começou a cair de posição devido a uma lembrança: Santa Catarina vai ter pai e filho no Senado? Jorge Bornhausen estava no meio de seu mandato (1999/2007) e, se eleito, Paulinho se juntaria ao pai no ano seguinte. O discurso do “pai e filho” acabou levando Paulinho Bornhausen ao quarto lugar (cerca de 900 mil votos), atrás dos eleitos Ideli Salvatti e Leonel Pavan. Com Carlos Bolsonaro a lembrança do “carioca” não está causando resultado desfavorável nas pesquisas.
Estado de maioria Bolsonarista
A única explicação para o sucesso de Carlos em todas as pesquisas é seu sobrenome. Santa Catarina é conhecida por ser ter um povo majoritariamente conservador e politicamente de direita, classificações estas que as recentes eleições comprovaram. Caso o filho 02 de Jair Bolsonaro se eleja em uma das vagas ao Senado em outubro, Santa Catarina vai passar a ser também um Estado Bolsonarista.
O grande desafio
Não utilizado até agora, o escudo de Carlos Bolsonaro vai ter que se revelar muito forte quando a campanha migrar para os meios de comunicação (horário eleitoral gratuito). Seus adversários terão espaços generosos para lembrar sua condição de “candidato carioca” e do “vereador carioca que se mudou para Santa Catarina apenas para se candidatar, sem conhecer os problemas do Estado”.
Prejuízo à coligação
Jorginho Mello (PL) vinha formatando uma chapa que concederia uma das duas vagas ao Senador Esperidião Amin (PP) para atrair a federação Progressistas/União Brasil e seu generoso tempo no horário eleitoral gratuito. Com a indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro em favor de seu filho, o sacrificado foi Amin. Até a deputada federal Carol de Toni ficou com sua vaga ameaçada. Jorginho teve que “desconvidar” Amin e a sua federação para manter a palavra com o ex-presidente.


