
As convenções partidárias realizadas neste fim de semana marcaram a transição entre a política dos bastidores e a disputa pelo voto. Os três principais nomes da disputa — o governador Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição, o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD) e o ex-deputado Gelson Merisio (PSB) — já definiram os eixos centrais de suas campanhas, que servirão como base para o que será apresentado ao eleitor.
Se a campanha de Jorginho apostou em um evento inspirado no modelo das convenções americanas, a de Rodrigues preferiu o formato tradicional. Já a de Merisio antecipou o calendário e realizou sua convenção alguns dias antes.
Jorginho chega à campanha em uma situação completamente diferente da vivida em 2022. Naquele momento, como senador, apresentava propostas e perspectivas. Agora, entra como favorito e disputará a reeleição defendendo o legado de quase quatro anos de governo.
Como todo candidato que busca permanecer no cargo, enfrentará um verdadeiro plebiscito. O eleitor decidirá se aprova sua gestão e lhe concede mais quatro anos ou se prefere uma mudança de rumo. Sua campanha deverá apostar em programas como Universidade Gratuita e Estrada Boa, nos indicadores da segurança pública e na gestão fiscal como principais vitrines da administração. Também defenderá que o equilíbrio das contas públicas criou as condições para um novo ciclo de investimentos estruturantes, que pretende anunciar.
Do outro lado, a oposição já demonstra onde concentrará seus ataques. A saúde tende a ser o principal campo de confronto, especialmente em torno da promessa de zerar as filas. Vale destacar que essa é uma área que desafia qualquer governo por ser uma verdadeira torneira aberta, marcada por demanda crescente, custos elevados e resultados difíceis de consolidar. Além disso, a infraestrutura também será tema de debates.
João Rodrigues escolheu a habitação popular como uma de suas principais bandeiras. Também defenderá uma gestão despolitizada, embora ainda precise detalhar como pretende implementá-la, e fará da necessidade do diálogo com o Governo Federal um dos principais embates com Jorginho.
Outro tema que ganhará espaço em seu discurso será a população em situação de rua. Rodrigues pretende apresentar a experiência de Chapecó como referência e sustenta que o problema atingiu proporções de epidemia em Santa Catarina. A educação profissionalizante também aparece entre as prioridades de seu programa.
Gelson Merisio seguirá uma estratégia distinta. O ex-presidente da Assembleia Legislativa continuará criticando a infraestrutura estadual e defenderá que parte dos bons indicadores econômicos do Estado decorre do cenário nacional e dos investimentos federais. Também pretende centrar sua campanha no desenvolvimento social, no resgate da identidade catarinense e no combate aos extremismos políticos. Para isso, reuniu lideranças históricas da esquerda e nomes de expressão nacional na elaboração de seu plano de governo.
Mas a eleição não será disputada apenas por eles. Também tiveram as candidaturas oficializadas Laís Chaud (UP), Marcelo Brigadeiro (Missão), Ralf Zimmer (PRD) e Marcus Sodré (PSTU), ampliando o leque de opções que será apresentado ao eleitor.
Entre esse grupo, Brigadeiro surge como o nome com maior potencial de crescimento. A candidatura presidencial de Renan Santos tende a dar maior visibilidade ao Missão durante a campanha, refletindo também na disputa estadual.
Na convenção

A chapa majoritária do chamado Campo Democrático de Santa Catarina participou, na manhã de ontem, da Convenção Nacional do PT, em São Paulo, que oficializou a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A comitiva catarinense esteve presente a convite do próprio Lula, reforçando a aproximação da campanha presidencial com a aliança formada no Estado. A comitiva foi liderada pelo candidato ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSB), acompanhado da candidata a vice-governadora, Ângela Albino (PDT), e dos candidatos ao Senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL). Além de acompanhar a oficialização da candidatura, o grupo participou de reuniões com lideranças nacionais e representantes de outras chapas estaduais, em uma agenda voltada ao fortalecimento da articulação política e das alianças para a campanha eleitoral.
Temas de SC
As lideranças catarinenses destacaram que, durante o discurso na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou temas que têm impacto direto em Santa Catarina. Ao defender o endurecimento do combate à violência contra a mulher, lembrou que pretende ampliar os mecanismos de enfrentamento ao feminicídio. O assunto ganha relevância no Estado, que lidera os registros de ameaça contra mulheres e segue entre os que apresentam os maiores índices de violência doméstica de gênero, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Lula também ressaltou os investimentos em educação, citando o programa Pé-de-Meia. Em Santa Catarina, mais de 85 mil estudantes são beneficiados pela iniciativa, que já recebeu R$ 275 milhões em investimentos federais.
Apoio estratégico

Mesmo não tendo o apoio de Flávio Bolsonaro (PL), o senador Esperidião Amin (Progressistas) manteve a decisão de apoiar o candidato liberal à Presidência da República. Amin sabe que seu eleitor é de direita e, inclusive, terá votos até entre bolsonaristas. Mantendo o apoio a Flávio, fideliza esse eleitorado. No sábado, Amin deixou a convenção para não dividir espaço com Ronaldo Caiado (PSD).
Entrevistas

Estreia nesta semana o Pautando SC, espaço de entrevistas do Santa Catarina em Pauta. Os primeiros entrevistados serão candidatos ao Governo do Estado. O critério adotado é o de entrevistar os quatro primeiros colocados nas pesquisas. Estão confirmadas entrevistas com Marcelo Brigadeiro (Missão), nesta quarta-feira (05); João Rodrigues (PSD), na sexta-feira (07); e Gelson Merisio (PSB), no dia 14. A equipe do governador Jorginho Mello (PL) ficou de confirmar.
Independentes
Após a convenção do MDB, segue a pergunta: como se posicionarão os deputados estaduais Fernando Krelling e Jerry Comper, que apoiam a reeleição do governador Jorginho Mello (PL)? Segundo uma fonte, a tendência é que ambos façam materiais de campanha sem mencionar o Governo do Estado. Quanto ao Senado, a informação é de que Krelling e Comper apoiarão Antídio Lunelli (MDB) e Esperidião Amin (Progressistas). A senadora Ivete Appel da Silveira (MDB) também apoiará Jorginho, e o deputado federal Valdir Cobalchini, conforme eu já havia adiantado, seguirá a decisão do partido e apoiará João Rodrigues (PSD).
Suplentes
Para evitar uma disputa interna no MDB, o ex-deputado federal Rogério Peninha Mendonça retirou sua disposição de ser um dos suplentes na chapa do senador Esperidião Amin (Progressistas). Dessa forma, Volnei Weber será o primeiro suplente, e o ex-prefeito de Nova Veneza, Genésio Spirelle (Progressistas), o segundo suplente. Conforme já informei, as suplências de Lunelli serão formadas pelo ex-prefeito de Araquari, Clenilton Pereira (UB), e, provavelmente, pela vereadora de Balneário Camboriú, Jade Martins (MDB).
Não foi

O prefeito de Criciúma, Vágner Espíndola (PSD), não esteve na convenção de sábado. Em viagem com a família, Vaguinho foi representado pelo vice-prefeito, Salésio Lima, que preside o partido no município. Vale lembrar que o prefeito anunciou publicamente que não criticará o governador Jorginho Mello (PL) na eleição, o que foi visto como um aceno à neutralidade.
Curiosidade
Uma curiosidade na chapa do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) para a disputa ao Senado: ele nasceu em Resende, enquanto seu primeiro suplente, Rafael Caleffi (PL), nasceu em Vitorino, no Paraná. O segundo suplente, pastor Balduíno Ferreira, é natural do município gaúcho de Vacaria. A diferença é que Caleffi e Balduíno moram há anos em Santa Catarina. O primeiro foi prefeito de São Lourenço do Oeste, enquanto o pastor atua na Igreja do Evangelho Quadrangular de Joinville.
Suplentes confirmados

A informação antecipada pela coluna se confirmou na convenção. O empresário Valmir Rampinelli, presidente do Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz), não figurou entre os nomes que ocuparão as vagas de suplência na chapa de Caroline de Toni (PL) ao Senado. Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos, e o empresário Andrey Tomazi foram confirmados.
Dobradinha

O deputado estadual Ivan Naatz (PL) anunciou uma dobradinha com o candidato a deputado federal Sargento Lima (PL), seu colega de bancada na Assembleia Legislativa. Ambos atuaram juntos na presidência e na relatoria da CPI dos Respiradores, em 2020. Lima resumiu a parceria: “Leão anda com leão.”, afirmou.








