
A utilização dos portos catarinenses nas operações de comércio exterior do Paraguai e a criação de alternativas logísticas para o fornecimento de insumos à agroindústria de Santa Catarina estão entre os principais temas tratados durante missão oficial ao país vizinho, liderada pelo Governo do Estado e pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC). A agenda também incluiu discussões sobre investimentos paraguaios no litoral catarinense, transferência de tecnologias para a agricultura e possíveis parcerias para a criação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) conectadas aos portos do Estado. “A aproximação estratégica traz benefícios tanto para SC como para o Paraguai. Existe um mercado com muito potencial para crescer no intercâmbio comercial com os catarinenses”, afirmou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.
Entre os assuntos discutidos esteve a Rota do Milho, iniciativa voltada à regularidade do abastecimento de grãos para o polo agroindustrial de proteína animal do Oeste catarinense. Em 2025, o milho respondeu por 15,2% das importações do Paraguai por Santa Catarina, com movimentação de US$ 70,5 milhões. A comitiva também avaliou possibilidades de ampliar a utilização dos portos catarinenses nas importações e exportações paraguaias e de fortalecer a cooperação tecnológica entre os dois países. “Nossos grandes portos são opções muito competitivas de conexão com a Ásia e outros países para as importações e exportações do Paraguai, e avançamos ao abrir frentes para solidificar novas parcerias”, disse Seleme.
Dados do Observatório FIESC indicam crescimento do comércio bilateral acima da média nacional entre 2015 e 2025. As exportações catarinenses para o Paraguai aumentaram 99,1% no período e chegaram a US$ 445,1 milhões em 2025, com destaque para produtos como cerâmica não vitrificada, máquinas e equipamentos mecânicos e equipamentos de refrigeração. Já as importações do Paraguai cresceram 390,5% e alcançaram US$ 464 milhões no ano passado. Além do milho, a pauta inclui carne bovina, óleo de soja, tecidos destinados ao polo têxtil do Vale do Itajaí e insumos metálicos, como chumbo e sucata de cobre.
A missão também abriu discussões sobre a atração de investimentos paraguaios para o setor imobiliário do litoral catarinense e a ampliação das vendas de materiais de construção produzidos em Santa Catarina. Outro eixo envolve a transferência de tecnologias e soluções de infraestrutura para atender à expansão do setor de obras no Paraguai. Como próximos passos, equipes técnicas do Governo de Santa Catarina e da FIESC devem aprofundar estudos sobre logística e questões regulatórias nos próximos meses. Para novembro, está previsto um novo encontro empresarial em Santa Catarina voltado ao fortalecimento das relações comerciais com o Paraguai.
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