
É comum ouvirmos que os prontos-socorros estão lotados. Em muitos hospitais de pequeno porte, essa realidade faz parte da rotina diária. No entanto, um dado chama a atenção: grande parte dos pacientes atendidos apresenta quadros classificados como de baixa gravidade.
Isso não significa que essas pessoas não estejam doentes ou que sua preocupação seja exagerada. Pelo contrário, a dor, a febre ou o desconforto geram ansiedade e levam muitos pacientes a procurar atendimento imediatamente. O desafio é compreender qual é o serviço de saúde mais adequado para cada situação.
O que significa ser um paciente “verde”?
Nos hospitais brasileiros, o atendimento costuma seguir um sistema de classificação de risco. O objetivo não é determinar quem chegou primeiro, mas quem precisa de atendimento mais rápido.
Pacientes classificados como “verde” apresentam condições estáveis, sem risco imediato à vida, mas que necessitam de avaliação médica. Em geral, podem aguardar atendimento com segurança.
Entre os exemplos mais frequentes estão:
* Dor de garganta sem dificuldade para respirar;
* Resfriados e sintomas gripais leves;
* Tosse sem sinais de gravidade;
* Dor lombar crônica;
* Pequenos cortes já estancados;
* Dor de ouvido;
* Reações alérgicas leves;
* Solicitação de renovação de receitas ou atestados.
Essas situações merecem atenção, mas raramente representam uma emergência.
Por que tantas pessoas procuram o hospital?
Existem diversos motivos, e todos são compreensíveis.
Muitas vezes, o pronto-socorro funciona 24 horas, oferecendo acesso mais rápido ao médico e a exames. Além disso, nem sempre é fácil conseguir consulta na atenção primária no mesmo dia, especialmente em períodos de maior demanda.
Outro fator importante é a insegurança. Para quem sente dor ou percebe uma mudança no próprio corpo, pode ser difícil distinguir um problema simples de uma situação realmente grave.
Buscar atendimento é um direito da população. O que precisamos fortalecer é a orientação sobre qual serviço pode oferecer o cuidado mais adequado em cada momento.
Quando o pronto-socorro é realmente indispensável?
Alguns sinais exigem avaliação imediata:
* Dor intensa no peito;
* Falta de ar importante;
* Perda da consciência;
* Convulsões;
* Sinais de acidente vascular cerebral, como dificuldade para falar ou fraqueza em um lado do corpo;
* Acidentes graves;
* Hemorragias importantes;
* Febre em bebês muito pequenos ou acompanhada de sinais de gravidade;
* Reações alérgicas com inchaço da língua ou dificuldade para respirar.
Nessas situações, cada minuto pode fazer diferença.
E quando a Unidade Básica de Saúde pode resolver?
Grande parte dos problemas do dia a dia pode ser acompanhada na Atenção Primária à Saúde.
Além do tratamento das doenças mais comuns, as unidades realizam acompanhamento de hipertensão, diabetes, gestação, vacinação, renovação de receitas, exames preventivos e orientação para prevenção de doenças.
Quando esses serviços são utilizados de forma adequada, toda a rede de saúde funciona melhor.
O impacto nos hospitais pequenos
Hospitais de pequeno porte desempenham um papel essencial para suas comunidades. Muitas vezes, são a principal porta de entrada para situações de urgência e emergência.
Quando a maior parte dos atendimentos é composta por casos de baixa gravidade, as equipes precisam dividir seu tempo entre pacientes que poderiam ser atendidos em outros serviços e aqueles que realmente necessitam de cuidados imediatos.
Isso pode aumentar o tempo de espera, sobrecarregar profissionais e dificultar a resposta rápida às verdadeiras emergências.
O cuidado começa pela informação
Saber onde procurar atendimento não significa negar assistência, mas utilizar cada serviço da melhor maneira possível.
A Atenção Primária, os ambulatórios e os hospitais têm funções diferentes, porém complementares. Quando cada um atua no momento certo, quem mais ganha é o paciente.
Os hospitais continuarão de portas abertas para atender quem precisa. Ao mesmo tempo, investir em educação em saúde e fortalecer toda a rede de atendimento é um caminho importante para oferecer um cuidado mais ágil, seguro e humanizado para toda a população.
Dr. Gabriel José Fortunato Médico CRM/SC: 43.515
Hospital Padre Luiz Heinen/ Caxambu do Sul-SC


