
A nova Busscar já vinha sentindo há meses os efeitos da retração no mercado de ônibus e queda nas renovações de frotas. Ontem (21) tomou uma medida drástica para evitar prejuízos financeiros e manter seus empregos: férias coletivas de 8 de setembro até 7 de outubro. A empresa não divulga há anos o número de colaboradores, mas está classificada entre as indústrias entre mil a dois mil funcionários. Antes da crise que levou à falência, a antiga Busscar chegou a ter 2.700 funcionários. Com os novos acionistas (leilão de 2017) começou com 331 em janeiro de 2018 e terminou em 2029 com 1.042.

Cenário econômico adverso
Em nota divulgada ontem, os diretores Deomir Quarella (gerente geral Busscar) e Wilson Cavalari (diretor industrial da Caio) justificaram a concessão de férias coletivas pelo cenário que vem afetando as empresas do segmento de transporte de passageiros e a consequente “retração na demanda por ônibus rodoviários”. Com a medida, a empresa pretende “adequar o ritmo de produção ao atual cenário do mercado” e (com isso) preservar a “saúde financeira da empresa”, além de “contribuir na manutenção dos empregos”.

Queda de passageiros
Segundo dados do IBGE, a queda de passageiros nas linhas interestaduais foi de 8,3% em maio de 2026 comparada com o mesmo período de 2025. O número de rotas entre os estados também apresentou diminuição, caindo de 2.436 em 2019 para 2.018 em 2025, segundo o portal Diário dos Transportes. O número de passageiros caiu, mas a estrutura operacional continua relativamente grande, o que significa ônibus rodando com menor ocupação, “pressionando a rentabilidade das empresas”, informou recentemente a Folha de São Paulo.
Nova Busscar
Por décadas, a antiga Busscar da Família Nielsen de Joinville era a principal concorrente da Marcopolo de Caxias do Sul. Por circunstâncias ainda hoje discutíveis, entre elas a falta de capital de giro e endividamento junto aos bancos, a empresa acabou falindo e todos os funcionários demitidos e os ativos vendidos em leilão. Em 2017, um grupo de acionistas da Caio/Induscar de Botucatu (SP) arrematou o parque fabril e a marca Busscar, retornando ao mercado de fabricação de carrocerias para ônibus de rotas interestaduais.
Novos acionistas
O principal grupo econômico associado à Busscar é o Grupo Ruas, que opera muitas empresas de transporte coletivo em São Paulo e é o principal sócio da Caio/Induscar. Na capital paulista, o grupo tem um banco, a Linha 4 (amarela) do Metrô e linhas ferroviárias e metroviárias de São Paulo.


