
Santa Catarina teve 381 hectares de áreas com desmatamento ilegal autuados e embargados durante a Operação Mata Atlântica em Pé 2026. A ação foi realizada entre os dias 10 e 26 de agosto e mobilizou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e o Comando de Policiamento da Polícia Militar Ambiental (PMA).
A operação fiscalizou 178 áreas identificadas por meio de sistemas de monitoramento remoto, como o MapBiomas Alerta. Até esta quinta-feira (27), os dados parciais apontavam R$ 2.724.500 em multas aplicadas, além de outras medidas administrativas.
Atualmente, Santa Catarina tem 249 alertas de desflorestamento registrados pelo MapBiomas Alerta. A partir dessas informações, as equipes realizaram análises remotas e fiscalizações presenciais para verificar a ocorrência de infrações ambientais.
A iniciativa foi operacionalizada pelo Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CME) do MPSC em conjunto com a Polícia Militar Ambiental. A estratégia combinou inteligência geoespacial, monitoramento remoto e inspeções em campo para identificar e responsabilizar os responsáveis pelas áreas desmatadas.
Segundo a coordenadora do CME, promotora de Justiça Stephani Gaeta Sanches, a atuação conjunta permite ampliar a fiscalização e a responsabilização dos infratores.
“Os resultados obtidos demonstram a importância da fiscalização integrada entre os órgãos na proteção do meio ambiente”, afirmou. De acordo com a promotora, além das multas e dos embargos, os responsáveis podem ser obrigados a recompor as áreas degradadas e responder a processos nas esferas cível e criminal, conforme a Lei nº 9.605, a Lei dos Crimes Ambientais.
Operação nacional
Esta é a nona edição nacional da Operação Mata Atlântica em Pé, que ocorre simultaneamente nos 17 estados abrangidos pelo bioma. A coordenação nacional é realizada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.
Além de Santa Catarina, participam Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.
O balanço nacional da operação será divulgado nesta sexta-feira (28), durante coletiva de imprensa em Belo Horizonte (MG). O evento também marca a abertura do seminário “20 anos da Lei da Mata Atlântica” e a primeira edição do Prêmio Mata Atlântica em Pé.
Tecnologia no combate ao desmatamento
A operação utiliza informações de diferentes sistemas de monitoramento para localizar áreas com indícios de desmatamento. Os alertas são analisados e, posteriormente, submetidos a verificações remotas e presenciais. Em alguns estados, drones e tecnologias de georreferenciamento são empregados para aumentar a precisão das inspeções.
Quando a irregularidade é confirmada, os responsáveis podem receber multas, ter a área embargada e ser obrigados a reparar integralmente os danos ambientais e climáticos. Também podem ocorrer restrições relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), ao crédito rural e a outros mecanismos previstos na legislação.
De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, o desmatamento no bioma caiu 40% em 2025 em relação ao período anterior e 60% na comparação com 2020-2021. O índice alcançou a menor taxa registrada em quatro décadas de monitoramento.
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