São José registra alta na abertura de empresas, mas reduz ritmo de geração de empregos


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Redação Santa Catarina em Pauta

Levantamento reúne indicadores de empresas, empregos, frota, comércio exterior e arrecadação registrados no município em 2026 – Foto: Divulgação/PMSJ

São José mantém a economia aquecida em 2026, com crescimento na abertura de empresas, na frota de veículos e no comércio exterior. Ao mesmo tempo, o município registrou desaceleração na geração de empregos formais e estabilidade na arrecadação real de ICMS. Os dados fazem parte da 8ª edição do Boletim Econômico de São José, elaborado pela Aemflo e CDL São José com base em informações oficiais.

Entre janeiro e junho, São José registrou saldo líquido de 3.548 novos CNPJs, alta de 16,5% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ficou acima do crescimento observado na Grande Florianópolis, de 5,2%, e em Santa Catarina, de 5,7%.

Apesar do avanço, o levantamento mostra que cerca de 89% do saldo líquido de empresas é formado por microempreendedores individuais (MEIs). Para as entidades empresariais, o dado demonstra a força do empreendedorismo no município, mas também aponta a necessidade de acompanhar a evolução dos negócios de outros portes e sua capacidade de ampliar investimentos e postos de trabalho.

“O crescimento da base empresarial é muito positivo, especialmente quando supera o desempenho regional e estadual. Ao mesmo tempo, nosso papel como entidade empresarial é olhar além do número de CNPJs e trabalhar para que essas empresas tenham condições de crescer, gerar empregos, investir e permanecer competitivas”, afirma a presidente da Aemflo e CDL São José, Cintia Pieri.

Carteira assinada

No mercado de trabalho formal, o município abriu 1.235 novas vagas com carteira assinada no primeiro semestre. O resultado é positivo, mas representa uma queda de 44,3% no saldo em comparação com o mesmo período de 2025. A desaceleração também foi registrada na Grande Florianópolis, com redução de 37%, e em Santa Catarina, com queda de 21,2%.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Sérgio Scarpa, o desafio é transformar o crescimento do número de empresas em mais empregos e renda.

“São José apresenta uma economia dinâmica e com capacidade de atrair novos negócios. O crescimento de 16,5% no saldo de empresas é um indicador muito positivo, mas precisamos olhar também para a qualidade e a sustentabilidade desse crescimento”, afirma.

Frota e comércio exterior

Outro indicador que avançou foi a frota de veículos. Na comparação anual, houve crescimento de 4,8% em São José, resultado próximo ao da Grande Florianópolis, de 4,9%, e acima do registrado em Santa Catarina, de 3,7%.

O comércio exterior também apresentou expansão. Entre janeiro e julho, as exportações cresceram 8,3%, chegando a aproximadamente US$ 28 milhões. As importações aumentaram 22,3%, alcançando cerca de US$ 677,4 milhões.

O resultado gerou um déficit comercial de aproximadamente US$ 649,6 milhões, indicando a predominância das importações na balança comercial do município e a integração de São José com cadeias produtivas nacionais e internacionais.

ICMS estável

Na arrecadação, o ICMS apresentou estabilidade. A receita real acumulada até junho teve variação de -0,1% em São José, enquanto a Grande Florianópolis registrou crescimento de 7,5% e Santa Catarina, de 3,7%.

Já a arrecadação real de IPVA cresceu 2,9% no município, acima da Grande Florianópolis, que teve alta de 2,3%. No Estado, houve queda de 0,2%.

“O conjunto dos indicadores mostra uma economia local ativa, mas com comportamentos diferentes entre os setores. O crescimento das empresas, da frota e do comércio exterior convive com uma geração de empregos em ritmo menor e uma arrecadação de ICMS praticamente estável”, avalia o consultor econômico da Aemflo/CDL São José, Leonardo Alonso.

Segundo semestre

O boletim também aponta fatores que podem influenciar a economia local no segundo semestre, como juros elevados, cenário fiscal, variações cambiais, conflitos geopolíticos e possíveis mudanças nas relações comerciais internacionais.

Segundo Alonso, essas variáveis podem ter impacto especialmente sobre custos, investimentos e decisões empresariais em São José, que possui forte integração econômica com a Grande Florianópolis e participação no comércio exterior.

Para o prefeito Orvino Coelho de Ávila, os resultados reforçam a importância de manter políticas voltadas ao empreendedorismo e à atração de investimentos. “São José tem uma economia diversificada, com forte presença do comércio, dos serviços e de empresas de diferentes portes. O crescimento da base empresarial demonstra que o município continua sendo um ambiente atrativo para quem quer empreender e investir”, afirma.

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