
A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal de Florianópolis divulgou uma nota de repúdio e solidariedade à advogada Fernanda Klitzke (PT), candidata a segunda suplente ao Senado Federal na chapa de Décio Lima (PT), após uma ocorrência policial registrada em 12 de setembro, em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina.
O órgão, coordenado pela vereadora Ingrid Sateré Mawé (PSOL), pediu uma apuração “rigorosa, célere, transparente e imparcial” sobre o episódio. A manifestação foi divulgada em 14 de setembro.
Segundo a Procuradoria, o caso deve ser analisado não apenas sob a perspectiva da atuação policial, mas também diante da possibilidade de ter ocorrido violência contra a mulher em espaços profissionais ou políticos.
A nota ressalta que situações de violência contra mulheres podem ocorrer em ambientes públicos, profissionais e políticos, inclusive por meio de intimidação, constrangimento ou tentativa de silenciamento.
Possível violência política contra a mulher
A Procuradoria afirma que é necessário avaliar se, nas circunstâncias da ocorrência, houve algum comportamento que tenha ultrapassado os limites da atuação institucional e afetado o exercício dos direitos políticos ou a participação de Fernanda na vida pública.
O órgão, no entanto, afirma que não é possível antecipar conclusões sobre as motivações ou responsabilidades relacionadas ao episódio.
A manifestação também destaca que o fato de a envolvida ser mulher não permite, por si só, presumir que a ocorrência tenha sido motivada por gênero. Ao mesmo tempo, segundo a Procuradoria, essa possibilidade não deve ser descartada na investigação.
O documento defende ainda que a apuração respeite o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Caso sejam identificadas irregularidades, a Procuradoria afirma que as responsabilidades devem ser estabelecidas conforme a legislação.
O que aconteceu
A ocorrência foi registrada na noite de 12 de setembro, em Jaraguá do Sul, após a Polícia Militar ser acionada para atender uma denúncia de perturbação do sossego e ameaça.
Conforme a versão apresentada pela corporação, uma moradora relatou que o som de um veículo estacionado em frente à residência estava provocando agitação em seu filho, que tem transtorno do espectro autista. Ela também afirmou ter sido ameaçada depois de pedir que o volume fosse reduzido.
Os policiais localizaram o homem apontado pela moradora em uma residência próxima. Segundo o registro policial, ele teria desobedecido às determinações da equipe e ofendido os agentes. Durante a abordagem, houve confronto e três pessoas foram conduzidas à delegacia, entre elas Fernanda Klitzke. As versões sobre a intervenção policial são diferentes.
Fernanda afirma que se identificou como advogada e tentou intervir profissionalmente durante a abordagem. Imagens que circularam nas redes sociais mostram a advogada sendo imobilizada e atingida por disparos de munição de impacto controlado.
Já a Polícia Militar afirma que houve desacato, desobediência e resistência durante a ocorrência e que Fernanda teria interferido na atuação dos agentes.
Diante da repercussão do caso, a corporação informou que as circunstâncias da ocorrência e a atuação dos policiais serão analisadas pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina.
A Subseção da OAB de Jaraguá do Sul também informou que acompanha o caso e presta apoio institucional à advogada. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina afirmou acompanhar os desdobramentos.
Ao final da manifestação, a Procuradoria Especial da Mulher declarou solidariedade a Fernanda Klitzke e reforçou a defesa da participação feminina nos espaços públicos e de decisão.
Acesse o nosso Canal no WhatsApp!
Criamos um canal oficial no WhatsApp — e você já pode fazer parte!
Mais agilidade, mais bastidores, mais DENÚNCIAS direto no seu celular.
Sem grupos, sem conversas, só informação exclusiva, com a credibilidade do Santa Catarina em Pauta.
Acesse e siga agora:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb6oYQTEgGfKVzALc53t










