
Santa Catarina registrou 1.167 transplantes de órgãos e tecidos entre janeiro e agosto de 2026, segundo o boletim mais recente do SC Transplantes, Central Estadual de Transplantes vinculada à Secretaria de Estado da Saúde. No mesmo período, foram notificadas 525 pessoas como potenciais doadoras às equipes de captação, das quais 241 resultaram em doações efetivas, o equivalente a 46% das notificações. A campanha Setembro Verde ocorre neste mês para ampliar a conscientização sobre doação e transplantes, com o Dia Nacional de Doação de Órgãos em 27 de setembro.
Notificações e fila de espera
As sete macrorregiões de saúde participam das etapas de notificação e captação. A região do Planalto Norte e Nordeste registrou 116 notificações e 48 doações efetivas, enquanto a Grande Florianópolis teve 89 notificações e 38 doações. No Vale do Itajaí, foram 74 notificações e 46 doações, resultado que representou a maior taxa de conversão entre as regiões. Entre os motivos registrados para a não efetivação das doações, 123 casos foram relacionados à não autorização familiar e 64 a contraindicações clínicas.
Em agosto de 2026, a lista de espera por transplantes em Santa Catarina reunia 1.894 pessoas. A maior demanda era por transplante renal, com 898 pacientes, seguida pela córnea, com 751. Também estavam na lista 155 pacientes para transplante de medula óssea, 56 para fígado, 23 para rim e pâncreas conjugados e 11 para tecido ósseo. Entre os procedimentos realizados no período, foram registrados 541 transplantes de córnea, 178 renais com doador falecido e 153 de esclera.
Segundo Maurício José Souto-Maior, presidente da AHESC, os resultados envolvem a atuação de hospitais de diferentes portes e regiões. “Isso exige investimento contínuo em capacitação das equipes que atuam na notificação e no diagnóstico de morte encefálica, porque cada etapa mal conduzida pode custar uma doação”, afirmou. Já a presidente da FHESC, irmã Neusa Lúcio Luiz, apontou a autorização familiar como um dos aspectos relacionados à efetivação das doações. “O diálogo sobre doação de órgãos precisa acontecer em família antes que a decisão tenha que ser tomada em um momento de dor”, declarou.
A atuação na área envolve hospitais de Blumenau, Joinville, Criciúma, Chapecó, Itajaí, Florianópolis e outras cidades. Os transplantes renais são realizados em cinco hospitais habilitados, enquanto os procedimentos de fígado, córnea e esclera são distribuídos entre diferentes serviços do Estado. Os dados utilizados são do boletim estatístico do SC Transplantes, referente ao período de janeiro a agosto de 2026, e do InfoSUS/SES-SC.
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