Sete operações contra lavagem de dinheiro movimentam investigações em SC em 2026


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Redação Santa Catarina em Pauta

Ações realizadas entre abril e setembro envolveram suspeitas de fraudes, crimes tributários, ocultação de patrimônio e movimentação irregular de recursos – Foto: Magnific

Santa Catarina esteve envolvida em pelo menos sete operações relacionadas à lavagem de dinheiro entre abril e setembro de 2026. As investigações, conduzidas por órgãos como Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, apuraram suspeitas que incluem fraudes em licitações, crimes tributários, estelionato, tráfico de drogas e ocultação de patrimônio.

Entre os casos, estão investigações que resultaram no bloqueio de milhões de reais em bens e valores. Em uma delas, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 66 milhões. Outra operação levou ao sequestro de mais de R$ 14,5 milhões.

A primeira ação foi a Operação Grau Zero, deflagrada em 29 de abril pela Polícia Civil de Santa Catarina e pela Polícia Rodoviária Federal. A investigação apurou suspeitas de organização criminosa, participação em rachas e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Biguaçu, Palhoça, Antônio Carlos e Itapema.

Em junho, a Operação DNA do Crime, do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), investigou suspeitas de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro em Blumenau e Gaspar. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e sete empresários foram presos. A investigação apontou o uso de contratos e empréstimos fictícios e de pessoas interpostas para movimentar e ocultar recursos.

Ainda em junho, a Operação Nórcia investigou suspeitas de fraude imobiliária, estelionato e lavagem de dinheiro em São Bento do Sul, Campo Alegre, Itapoá e Joinville. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva.

Já a Operação Mercúrio, realizada em julho, teve origem em uma investigação em Concórdia e apurou suspeitas de movimentação e ocultação de recursos provenientes de atividades criminosas, especialmente relacionadas ao tráfico de drogas. Os mandados dessa etapa foram cumpridos em São Paulo.

Outra investigação, a Operação Gaiola Digital, apurou suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro em municípios catarinenses. Foram cumpridos 17 mandados, inclusive em uma empresa. Segundo o MPSC, foram identificadas movimentações bancárias de milhões de reais consideradas incompatíveis com a atividade empresarial investigada.

Em Lages e São José do Cerrito, a Polícia Federal deflagrou a Operação Estoque Zero, que investigou suspeitas de descaminho e lavagem de dinheiro envolvendo a comercialização de produtos eletrônicos sem documentação fiscal. A operação resultou em medidas de sequestro de bens e valores superiores a R$ 14,5 milhões.

A mais recente foi a Operação Mercado Oculto, realizada em setembro pelo MPSC e pelo GAECO, com participação da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina e do Ministério Público do Paraná. A investigação apura suspeitas de crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de estabelecimentos comerciais. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em 24 municípios catarinenses e em duas cidades paranaenses.

Controles internos podem reduzir riscos

Para o advogado criminal Yonatan Maier, especialista em Direito Penal Empresarial, as investigações também mostram a importância de mecanismos internos de controle nas empresas.

Segundo ele, operações utilizadas para lavagem de dinheiro podem assumir a aparência de negócios comuns, como contratos, compras, vendas, prestações de serviços e transferências financeiras.

Por isso, a análise isolada de uma transação pode não revelar uma irregularidade. A integração entre os setores financeiro, jurídico, contábil, comercial e administrativo é apontada pelo especialista como uma forma de identificar movimentações incompatíveis com a atividade da empresa.

Entre os sinais que merecem atenção estão pagamentos fracionados, fornecedores sem histórico, operações sem justificativa econômica e movimentações financeiras incompatíveis com o negócio.

Outro cuidado é verificar fornecedores, representantes, intermediários e prestadores de serviços antes da contratação. A existência de um CNPJ ativo, por si só, não comprova a regularidade de uma relação comercial.

Além do risco jurídico, uma investigação pode afetar a reputação da empresa e a relação com clientes, fornecedores e parceiros, inclusive em situações nas quais a participação dos proprietários ou administradores ainda esteja sendo apurada.

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