
A disputa ao Senado aqui no estado, uma das mais concorridas dos últimos anos, entra nesta última semana de eleição com o cenário aberto para quatro nomes. Vale lembrar que, de acordo com a pesquisa Quaest, na espontânea, 71% dos eleitores não definiram o seu voto.
Carol de Toni (PL) começou a se consolidar, nos últimos dez dias, como a possível mais votada, embora a vantagem, neste momento, não seja tão grande a ponto de podermos considerá-la eleita. Até domingo (04), De Toni precisará administrar os focos de insatisfação entre apoiadores que não gostaram das concessões feitas pela parlamentar diante das pressões de Carlos Bolsonaro (PL), que praticamente a impediu de participar dos debates. Seus apoiadores entendem que ela deve pensar mais na própria eleição.
A vantagem em relação ao Zero Dois é que De Toni é catarinense, conhece o estado, e isso dá maior segurança ao eleitor incomodado com uma candidatura “estrangeira”, pois, caso eleita, deverá atuar efetivamente pelas pautas de Santa Catarina.
O ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), segue contando com o voto no sobrenome, não nas propostas. Para ele, ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já basta. Carlos está tão confiante nessa leitura que segue fazendo sua campanha com discursos voltados apenas a pautas pessoais, a exemplo da guerra entre a sua família e parte do Supremo Tribunal Federal.
Até a eleição, deverá intensificar os ataques contra quem ameaçar a sua eleição, por meio do seu já conhecido “gabinete do ódio”. Resta saber se os embates da semana passada com o senador Esperidião Amin (Progressistas) lhe deram mais adesões ou aumentaram a sua rejeição, que só não é maior do que a de Décio Lima (PT).
Por sua vez, Amin segue apostando na sua história, se apresentando como um candidato de Santa Catarina para Santa Catarina. Tem levado ao debate as principais discussões envolvendo o estado, somadas às pautas contra o STF, que têm lhe rendido um bom apoio até mesmo entre o eleitor mais à extrema-direita. Além disso, o voto útil do eleitor independente e de uma parcela da esquerda que rejeitam Carlos Bolsonaro tem o potencial de impulsionar a sua candidatura, podendo mexer com o resultado final.
Correndo por fora, aparece Décio Lima (PT), que surgiu como o fato novo da eleição ao Senado. A pesquisa Quaest, divulgada na quinta-feira (24), o colocou em empate técnico com Carlos e Amin. O problema para ele é a dificuldade do PT, que não tem conseguido ampliar o seu alcance aqui no estado.
Para avançar mais, Lima aposta em um desempenho melhor do presidente Lula (PT) aqui no estado em relação a 2022, contando com a transferência total desses votos para ele, somada à fragmentação da direita, para tentar beliscar uma das duas vagas. Mas, há um fator de preocupação para a sua campanha: parte de seus eleitores também considera dar o segundo voto a Amin, em protesto contra a candidatura de Carlos.
Não quer expor

Em 2010, quando era vereador no Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL) foi coautor de uma lei municipal, ao lado do então vereador Reimont Santa Bárbara (PT), de Chiquinho Brazão, Dr. Jairinho, entre outros, que inclui o Dia de Iemanjá no calendário oficial da cidade. A lei consolidou as datas comemorativas, os eventos e os feriados municipais. Carlos não foi o único autor, mas tenta evitar o assunto para não ter desgastes com o eleitor evangélico, por se tratar de uma divindade cultuada nas religiões de matriz africana.
Recado?

Chamou a atenção esse story da deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL), neste final de semana, no Instagram. Todos sabem que Campagnolo não é a favor da eleição de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado. A parlamentar é apoiadora declarada de Carol de Toni (PL) e tem grande simpatia pelo senador Esperidião Amin (Progressistas).
Pesquisas
No dia 1º, teremos nova pesquisa da Neokemp para o Governo do Estado, o Senado e a Presidência da República. No sábado (03), será a vez da Quaest.
Apoio
Causou surpresa o anúncio do vereador de Florianópolis Roberto Katumi de que votará no governador Jorginho Mello (PL). A surpresa se deve ao fato de Katumi ser filiado ao PSD, que tem João Rodrigues (PSD) como candidato ao Governo. Katumi também anunciou apoio ao deputado federal Ismael dos Santos (PL), que deixou o PSD na janela para a troca de partido, e a Fábio Botelho (Podemos) para deputado estadual. Se for seguida uma diretriz da direção estadual pessedista, é bem possível que Katumi seja expulso do partido.
Nova colunista

Hoje temos a estreia da colunista Mônica Lopes. Mestra em Direito, com MBA em Administração Pública e Gerência de Cidades e pós-graduação em Direito Público, Mônica se tornou uma das principais especialistas do Brasil em revisão, atualização e adequação de Leis Orgânicas Municipais e Regimentos Internos de Câmaras Municipais, além de atuar com capacitação e processos de modernização dos legislativos. Em suas colunas, abordará os temas que mais interessam aos prefeitos e vereadores, além de apresentar os resultados de seu trabalho nos municípios. Seja bem-vinda!!!










