
Não raro, os colunistas políticos são mal interpretados. Muitos confundem o que nós achamos que irá acontecer, baseado em fatos e pesquisas, com aquilo que gostaríamos que acontecesse. Ao analisar o cenário político no maior colégio eleitoral de Santa Catarina (mais de 440 mil eleitores) é lícito prever cinco fatores distintos: a abstenção será recorde, na véspera da eleição há muitos indecisos, Jorginho Mello terá uma vitória com 65% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro com percentual um pouco abaixo e o município deve aumentar sua representatividade da Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. A maior indefinição é sobre os candidatos que disputarão a segunda vaga ao Senado. Por contar com apoio do seu partido e do NOVO, Carol de Toni certamente será a mais votada no primeiro voto.
A vantagem de Joinville
Certa vez, ao ser perguntado sobre as possibilidades de um candidato a deputado estadual do MDB de Joinville, nos anos 90, o então deputado federal Luiz Henrique respondeu: deve estar melhor do que vocês, pois ele percorre um universo de 60 mil eleitores em meio dia e você leva uma semana para tal (municípios pequenos da região). A vantagem dos candidatos joinvilenses continua idêntica: estar próximos de bairros com 20, 15 e 10 mil eleitores.
Pesquisa interna
A coluna teve acesso a duas pesquisas realizadas pelo Instituto Síntese de Joinville sobre intenção de votos. Trata-se de um trabalho feito com mais de 1 mil eleitores nos principais bairros, incluindo fatias do eleitorado (idade, instrução e renda) e justificativa da escolha. Por não ter sido registrada no Tribunal Regional Eleitoral, seus números não podem ser divulgados. Contudo, é possível ter um termômetro da maioria dos eleitores, principalmente pela provável abstenção recorde. Há esperança de eleger seis deputados estaduais e pelo menos dois federais, mas os joinvilenses dependerão do comportamento eleitoral dos rivais dentro da própria sigla. Por exemplo: se o MDB fizer três deputados federais, o terceiro deverá ser Rodrigo Coelho. Sargento Lima (PL) está bem no município, mas sua eleição dependerá da estadualização de seus votos. Outra projeção indica que poderão ser eleitos até seis deputados estaduais com domicílio eleitoral no município.

Repetição de 2022
Os ex-deputados federais Rodrigo Coelho (MDB), Coronel Armando (PP) e Darci de Matos (Republicanos) ficaram na primeira suplência em 2022 e agora tentam retornar à Brasília com novas siglas. Coelho foi o mais votado em Joinville com 35.051 votos (11,15%), mas não conseguiu sua reeleição porque seu partido à época (Podemos) não conseguiu os votos necessários para eleger sequer um único deputado federal. Darci de Matos teve uma decepcionante votação em Joinville (13.053 votos) e também ficou na primeira suplência. Ambos fizeram mais de 57 mil votos em todo o Estado. Coronel Armando foi o terceiro mais votado em Joinville com 21.571 votos. Zé Trovão (PL) foi o único eleito (19.383 votos em Joinville) e vai tentar a reeleição.

As novidades
Enfrentando um adversário dentro de seu partido, como Sargento Lima, que foi o deputado estadual mais votado em Joinville com 38.547 votos, Zé Trovão também terá novos concorrentes neste domingo no município. O PT se dividiu em duas candidaturas – o ex-deputado Francisco de Assis e a vereadora Vanessa da Rosa – divisão que poderá dificultar a eleição de ambos. O NOVO disputará com o vereador Érico Vinicius, o União Brasil com a vereadora Tânia Larson e o PSD com o também vereador Pastor Ascendino. O Podemos concorrerá com as candidatas Elaine Casas e Liliane da Frada.

Representação será aumentada
Em 2022, Joinville elegeu três deputados estaduais (o quarto assumiu como primeiro suplente). Sem Sargento Lima (concorre a federal), os três deputados estaduais são favoritos em suas reeleições. Maurício Peixer (PL) é líder do governo, Fernando Krelling (MDB) é vice-presidente da Alesc e Matheus Cadorin conseguiu estadualizar sua votação. As novidades e com chances de vitória estão na Câmara de Vereadores, a começar pelo seu presidente Diego Machado (PSD), único candidato da sigla na região Nordeste e o segundo mais votado (8.719). O PL apresenta o vereador mais votado do Estado em 2024, Wilian Tonezi com 9.323 votos. Já o Republicanos recebeu o vereador Brandel Júnior (ex-PL) e o partido NOVO apresenta o seu vereador mais votado em 2024, Neto Petters com 7.586 votos.

Primeira eleição
Os novatos em 2026 também podem surpreender. Sem nunca ter disputado uma eleição, Eduardo Cesconetto (Republicanos) conta com o apoio de seus colegas da Celesc em todo o Estado e com o grande número de amigos em Joinville. Gilberto Leal Júnior (Podemos) foi secretário da prefeitura e conta com o apoio de muitos ex-colegas comissionados e a maioria dos atuais secretários (é servidor concursado).

As surpresas entre as mulheres
O PT concorrerá com a ex-vereadora Ana Lúcia Martins, sua primeira suplente em 2024. Duas mulheres podem surpreender: a Policial Militar Emily Pereira (UB) com mais de 308 mil seguidores no Instagram e a empresária Fabi Venera (PL), presidente da Federação dos Clubes de Tiro e Comércio de Armas de Santa Catarina.
Novas tentativas
O sindicalista Rodolfo de Ramos, que disputou em 2022, tenta mais uma vez se eleger deputado estadual, mesmo objetivo de Anelísio Machado (PP), a candidatura mais forte do partido na região. Vereador mais votado do MDB na região Norte, Adilson Girardi (6.447 votos) volta a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, desta vez com mais estrutura.

