O Estado mais bolsonarista


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Luiz Veríssimo

Ilustração gerada por IA

Não é sobre o número ou percentual de votos recebidos por Flávio Bolsonaro, mas sobretudo pelas votações de Carlos e Renan Bolsonaro em Santa Catarina, cuja principal inspiração foi o sobrenome. Por isso, Santa Catarina pode ser reconhecida como o “Estado mais Bolsonarista do Brasil”. Como explicar que um novato e inexpressivo vereador de Balneário Camboriú tenha sido aqui o quarto deputado federal mais votado dois anos depois de ser o vereador com maior número de votos no município que estava residindo poucos meses antes? Como explicar que um vereador do Rio de Janeiro seja eleito senador por Santa Catarina no mesmo ano que anunciou a renúncia do cargo em sua cidade e passar a residir na Grande Florianópolis? Aliás, destino imposto por seu pai.

Sobrenome x Serviços prestados

Carlos Bolsonaro foi bombardeado pelos adversários e por certos segmentos da mídia. Nos meus 45 anos de Santa Catarina, jamais tinha visto um candidato ao Senado receber tantas restrições públicas, a principal delas incontestável: não conhecer o Estado e (também) por ser carioca. Contudo, graças ao seu sobrenome e o apoio de Jorginho Mello e de sua companheira de partido, Carlos fez 2.04 milhões de votos, vencendo um dos políticos com mais serviços prestados ao Estado, o ex-governador Esperidião Amin. Em Joinville, onde fez história em seus três mandatos como governador, Amin perdeu por uma diferença superior a 100 mil votos (76.778 contra 178.339).

Quarto mais votado

Depois de alguns anos separados, Renan Bolsonaro vai morar na mesma cidade que seu irmão Carlos. Em Brasília, ele ocupará um apartamento funcional da Câmara dos Deputados e seu irmão outro do Senado. A identificação de seu nome na urna de Jair Bolsonaro (Jair está na sua certidão de nascimento) já era uma suspeita grande de vitória, mas ser o quarto colocado com 131.555 votos foi uma surpresa.

A importância do sobrenome

A votação expressiva de Flávio Bolsonaro em Santa Catarina (mais de 3 milhões de votos contra 1,8 de Lula) já era esperada porque o eleitor catarinense é majoritariamente conservador. No seu caso, o sobrenome contribuiu, mas não foi decisivo. Já o sobrenome fez de Renan Bolsonaro mais votado do que deputados federais que passaram quatro anos ou mais defendendo os interesses de Santa Catarina, como Pezeti (MDB), Gilson Marques (NOVO), Zé Trovão (PL) e Daniel Freitas (PL), sem falar dos deputados estaduais trabalhadores como Júlio Garcia (PSD) e Sargento Lima (PL), ambos também eleitos.

Em Joinville

Renan Bolsonaro fez 9.920 votos, mais do que lideranças políticas experientes que disputaram o mesmo cargo em Joinville, como o ex-deputado federal Darci de Matos (7.165) e o ex-deputado estadual Francisco de Assis (9.634), sem falar no vereador Ascendino Batista (PSD), que fez 9.083 votos.

Suplentes

Na mesa do governador reeleito Jorginho Mello a sugestão de convidar dois deputados federais eleitos para o secretariado e possibilitar, assim, que Valdir Cobalchini (MDB) e Ismael dos Santos (PL) continuem em Brasília. Ao prestigiar Cobalchini – mais pelo seu gesto na campanha de apoiá-lo – o governador consolidaria a projetada aliança com o MDB dentro na Assembleia Legislativa. Ismael dos Santos conta com um influente segmento que é a Assembleia de Deus. Quem do MDB e do PL aceitaria uma secretaria?

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