O poder de Jorginho após as urnas; mais mulheres eleitas e outros destaques


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Marcelo Lula

Jorginho comemora a vitória logo após a confirmação do resultado — Foto: Ricardo Trida

O governador Jorginho Mello (PL) sai do pleito eleitoral com uma musculatura política poucas vezes vista em Santa Catarina. E não apenas pela reeleição em primeiro turno, com 68,98% dos votos, mas pelo resultado geral das urnas, fruto de uma construção baseada em um novo modelo de fazer política no estado.

Ao contrário de outros nomes que lideraram Santa Catarina cercados por grandes grupos, reunindo lideranças de diversos partidos em torno de seus projetos, Jorginho optou por uma estrutura menor e mais familiar, na qual cabem apenas aqueles que gozam de sua maior confiança.

Foi com esse núcleo duro, formado pelos filhos Bruno e Filipe Mello, pelo irmão Juca Mello e pelo secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, que o governador construiu, especialmente nos últimos dois anos, um projeto estratégico que consistia não somente em fortalecer o Partido Liberal, mas também em atrair siglas-satélites, as fortalecendo com lideranças buscadas em outras legendas.

O resultado dessa estratégia apareceu nas urnas. Jorginho sai da eleição podendo contar, para a próxima legislatura na Assembleia Legislativa, com 21 deputados de partidos fiéis ao seu projeto: os 16 do PL, três do Republicanos e dois do Podemos.

A essa conta podem ser acrescentados pelo menos dois deputados da Federação União Progressista e três ou quatro do MDB. Ou seja, politicamente, o governador poderá ter cerca de 26 cadeiras alinhadas ao seu governo no Parlamento estadual.

Mudança de cenário

Ao contrário do que aconteceu em sua primeira gestão, quando não conseguiu construir as presidências da Assembleia Legislativa, o governador Jorginho Mello (PL) terá força suficiente para trabalhar pela eleição dos dois presidentes ao longo do próximo mandato, já que os períodos de comando da Casa são bianuais. Essa força também deverá se refletir na ocupação de espaços estratégicos nas principais comissões.

Outro fator que fortalece o governo é a redução do PSD e uma esquerda que, mesmo tendo conquistado uma vaga a mais, sai acuada da eleição diante do tsunami da direita e extrema-direita no país.

Portanto, o governo Jorginho 2.0 começará em uma condição bastante diferente daquela encontrada no primeiro mandato. Terá uma base potencialmente maior, mais organizada e, principalmente, com muito mais força para aprovar seus projetos na Assembleia Legislativa.

Musculatura

Em Brasília, o governador Jorginho Mello (PL) terá três senadores e mais sete deputados federais do PL, somados às deputadas federais eleitas Geovânia de Sá (Republicanos) e Ana Paula da Silva, a Paulinha (Podemos), que também chegaram à Câmara Federal debaixo de seu guarda-chuva.

É justamente quando todos esses números são colocados na mesma mesa que se percebe a dimensão do resultado alcançado por Jorginho. A eleição não lhe garantiu apenas mais quatro anos no comando do Estado. Deu ao governador uma estrutura que passa pela Assembleia Legislativa, pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

É um capital político que coloca o governador em uma posição privilegiada para ditar boa parte das disputas municipais de 2028 e, ao mesmo tempo, começar a olhar para 2030. Afinal, se 2022 representou a chegada de Jorginho ao comando do Estado, 2026 marca a consolidação de um projeto de poder que ultrapassa o Palácio da Agronômica e passa a ter peso em praticamente todos os espaços relevantes em Santa Catarina.

Governo estruturante 1

Conversei com algumas fontes ligadas ao PL e ao Governo do Estado ontem à noite, logo após o resultado da eleição. Durante as ligações, senti um misto de surpresa com o resultado nas eleições parlamentares, que ficou acima do projetado, e de empolgação pela força conquistada. Sobre o governo que começa em janeiro, a ideia, segundo os relatos, é fazer o que definiram como um governo estruturante. Uma das fontes relatou que as bases para isso foram construídas na gestão que está se encerrando. Foram destacados três pontos que prepararam o governo para essa nova fase. O primeiro foi o sentimento de que o governador Jorginho Mello (PL) teve uma evolução no seu papel de liderança, sobretudo aprendendo a delegar funções. “Ele tem muitas ideias e trabalha muito. E aprendeu a descentralizar”, relatou.

Governo estruturante 2

Outro ponto destacado por uma das fontes ligadas ao Governo do Estado, sobre a primeira gestão, é que foi montada uma boa equipe, por meio de um secretariado preparado e que conseguiu entregar o que foi proposto. Porém, há um sentimento de que são necessários ajustes e que, por isso, algumas mudanças devem acontecer com a entrada de caras novas no governo. Uma terceira questão apontada pela fonte, que, segundo relatou, agora dará condições para uma fase mais estruturante, foi a estratégia financeira e a disciplina na gestão dos recursos.

Governo estruturante 3

Uma nova estratégia financeira está sendo trabalhada no Governo do Estado e deverá ser apresentada ao governador Jorginho Mello (PL) nos próximos dias. A ideia é preparar a gestão para intensificar as ações estruturantes, além de continuar com o que já está sendo feito, conforme relatou a fonte. Um dos destaques é o projeto dos presídios, que terá um investimento total de R$ 1 bilhão para criar mais 10 mil vagas nos próximos dois anos. “O estado tem 25 mil vagas na história, e nós vamos fazer mais 10 mil em dois anos”, relatou. A ideia é que esse investimento ajude a dar mais segurança à população, o que refletirá nas pessoas que desejam vir morar no estado, nos turistas e em quem pretende trazer seus investimentos para Santa Catarina.

Governo estruturante 4

Há uma grande aposta do governo Jorginho Mello (PL) no porto da Baía da Babitonga, onde estão sendo investidos R$ 350 milhões para passar o calado de 14 para 16 metros, permitindo a chegada de navios maiores. Há uma expectativa de que, no auge, sejam gerados mensalmente R$ 1,2 bilhão na economia catarinense. Além disso, há investimentos privados, como o Porto da Coamo e um porto ao lado de São Francisco do Sul que foi comprado há pouco pela Bunge, que devem gerar, nos próximos dez anos, cerca de 40 mil empregos. Também há uma aposta no que foi chamado de “Sinal Bom”. Já aprovado na Alesc, o investimento dará ao estado 100% de cobertura de internet. Além disso, a fonte destacou que outros investimentos serão anunciados com o tempo, além da Via Mar e da Oeste Mar, rodovias que ficarão paralelas às BRs 101 e 282.

Votações históricas

Impressionante a força das mulheres do Partido Liberal nas disputas pelos Legislativos, batendo recordes de votos. Carol de Toni (PL), no Senado, Júlia Zanatta (PL), na Câmara Federal, e Ana Caroline Campagnolo (PL), na Assembleia Legislativa, tornaram-se as mais votadas da história em suas respectivas eleições. No caso de Campagnolo, ela bateu o próprio recorde.

Mais mulheres

A Assembleia Legislativa terá mais mulheres na próxima legislatura: Ana Caroline Campagnolo (PL), Luciane Carminatti (PT), Juliana Maciel (PL), Chica do Eskudlark (PL) e Anna Carolina (Republicanos).

A bancada catarinense na Câmara Federal também terá mais mulheres: Júlia Zanatta (PL), Ana Paula Lima (PT), Giovana Mondardo (PCdoB), Daniela Reinehr (PL), Ana Paula da Silva, Paulinha (Podemos), e Geovania de Sá (Republicanos).

Gelson Merisio

Disputando pela primeira vez pelo campo da centro-esquerda, Gelson Merisio (PSB) fez a sua parte na eleição ao Governo do Estado. Como era previsto, ficou em segundo lugar, com 15,66% dos votos, atingindo o capital da esquerda. Havia até mesmo a previsão de um desempenho próximo aos 20%. Porém, parte do eleitorado mais raiz acabou não aderindo. Mesmo assim, sair em segundo lugar, tendo disputado com dois nomes fortes da direita, o coloca novamente no cenário eleitoral, devendo ser um dos nomes que disputarão a Agronômica em 2030.

João Rodrigues

Além de enfrentar um governador com boa aprovação e que entrou no pleito com uma reeleição encaminhada, o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), também esteve em meio a uma polarização entre direita e esquerda que beneficiou as candidaturas de Jorginho Mello (PL) e Gelson Merisio (PSB). Além disso, a demora em decidir se iria disputar, somada a uma campanha pouco organizada, que teve marqueteiro apenas por um pequeno período, provocou um resultado muito mais abaixo do esperado para uma liderança que tem uma história na política catarinense. Ficou claro que a campanha não teve um rumo, o que se refletiu em uma série de equívocos. Na reta final, Rodrigues anunciou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), o que não lhe rendeu nada além de críticas pelo momento inoportuno para tal anúncio.

Carlos Bolsonaro

Carlos Bolsonaro (PL) conseguiu se eleger ao Senado por Santa Catarina. Ontem, durante as entrevistas que concedeu, falou apenas de anistia e dos presos do 8 de janeiro. Já que foi eleito, cabe a todos respeitar o resultado das urnas, mas também fiscalizar e cobrar para que ele represente, de fato, o estado. A coluna estará atenta.

Amin

O senador Esperidião Amin (Progressistas) foi preterido pelo eleitor, que preferiu bancar uma aposta baseada no sobrenome. Amin é uma das figuras mais respeitadas no Congresso Nacional. Quando cobri os parlamentos em Brasília, sempre ouvia dos colegas, que sabiam que vivo em Santa Catarina, relatos sobre a importância de Amin e seu conhecimento das principais discussões de interesse do país. Sempre atuante, ao contrário do que alguns tentaram sugerir durante a eleição, ao apontar que a idade pesaria contra ele, Amin é um dos exemplos da capacidade que Santa Catarina tem de formar seus próprios representantes, sem precisar importá-los.

Baixo desempenho

Lucas Esmeraldino, ex-vereador de Tubarão e secretário de Estado no governo de Carlos Moisés da Silva, disputou uma vaga para a Assembleia Legislativa pelo Avante, que teve como candidato à Presidência Augusto Cury. Esmeraldino fez apenas 593 votos.

Força Dobrada

A dobradinha formada pelo presidente da Assembleia Legislativa Júlio Garcia (PSD) e Clésio Salvaro (PSD) saiu vitoriosa das urnas. Garcia foi eleito deputado federal com 114.391 votos, enquanto Salvaro conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa com 58.480 votos. O resultado consolida o projeto Força Dobrada, que teve como proposta ampliar a representatividade do Sul catarinense em Florianópolis e Brasília. “A eleição terminou, mas o nosso trabalho está apenas começando. Vamos honrar cada voto com presença, trabalho e resultados”, afirmou Salvaro.