Líder nacional, Santa Catarina amplia a taxa de doadores de órgãos em 2026


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Redação Santa Catarina em Pauta

Estado já superou, até agosto, a taxa registrada em todo o ano de 2025; índice de recusa familiar também caiu – Foto: Leo Munhoz/SecomGOVSC

Santa Catarina alcançou, até agosto de 2026, a marca de 45 doadores efetivos de órgãos por milhão de população (pmp), superando a taxa registrada em todo o ano passado, de 42,8 pmp. O Estado também mantém o maior índice do país, segundo os dados do sistema catarinense de transplantes.

Outro indicador apresentou melhora no período. A taxa de famílias que não autorizam a doação caiu de 32% em 2025 para 31% em 2026. Em 2007, o índice de recusa chegava a 70%.

Os números são acompanhados pelo SC Transplantes, estrutura responsável pela coordenação da doação, distribuição e transplante de órgãos e tecidos em Santa Catarina.

Entre janeiro e agosto deste ano, foram registradas 525 notificações de potenciais doadores. Deste total, 395 famílias foram entrevistadas e 272 autorizaram a doação. Ao todo, 241 doações de múltiplos órgãos foram efetivadas no período.

Também foram realizados 1.167 transplantes no Estado nos oito primeiros meses do ano.

Sistema acumula mais de duas décadas

Criada em 1999 e vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, a Central Estadual de Transplantes coordena o processo de doação e transplantes em Santa Catarina.

Ao longo de sua história, o sistema contribuiu para que cerca de 26 mil pessoas recebessem órgãos, tecidos ou células. As doações realizadas no Estado também podem beneficiar pacientes de outras unidades da federação.

Segundo o coordenador do SC Transplantes, Joel de Andrade, Santa Catarina esteve entre os estados com melhores indicadores nacionais de doação nos últimos anos.

“Nos últimos 21 anos, em 15 deles fomos líderes isolados no processo de doação de órgãos para transplante no Brasil e, nos demais, ficamos na segunda colocação”, afirmou.

Para ele, a redução da recusa familiar está relacionada ao trabalho de orientação e capacitação das equipes que participam do processo. Cerca de 9,4 mil famílias catarinenses já autorizaram doações desde a criação do sistema.

Profissionais recebem treinamento para conversar com famílias

A abordagem das famílias após a identificação de um potencial doador é uma das etapas mais delicadas do processo. Para preparar os profissionais, são realizados, em média, 10 cursos de Comunicação em Situações Críticas por ano.

Até agosto de 2026, 3.288 profissionais já haviam participado das capacitações. Atualmente, 73 hospitais integram o Sistema Estadual de Doação.

O treinamento busca preparar as equipes para conduzir as conversas com as famílias com informação, acolhimento e sensibilidade.

Como funciona a doação de órgãos

A doação depende da autorização da família. Por isso, quem deseja ser doador deve comunicar essa vontade aos familiares.

Depois do consentimento, começa uma operação que envolve a avaliação dos órgãos, definição dos receptores compatíveis, retirada e transporte até os locais onde os transplantes serão realizados.

A logística pode envolver aeronaves da Secretaria de Estado da Saúde e do Samu, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, táxi aéreo e voos comerciais, conforme a disponibilidade.

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