
A draga Galileo Galilei concluiu a maior obra de engordamento de praia já realizada no Brasil em extensão. O projeto, executado em Itapoá, ampliou e recompôs 8,8 quilômetros da faixa de areia com sedimentos retirados do fundo da Baía da Babitonga.
A intervenção faz parte da obra de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, que atende aos portos de São Francisco do Sul e Itapoá. Ao todo, foram utilizados cerca de 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos no alargamento da orla.
O trabalho começou em outubro do ano passado, na Praia Pontal do Norte, avançou pela Praia Princesa do Mar e foi concluído na Praia Figueira do Pontal.
Segundo os responsáveis pelo projeto, foi a primeira vez no Brasil — e a segunda no mundo — que sedimentos retirados de uma dragagem portuária foram utilizados para ampliar uma praia.
Projeto inclui recuperação da restinga
Além do alargamento da faixa de areia, o projeto prevê ações de recuperação ambiental ao longo da orla. Até agora, 210 mil mudas de seis espécies de plantas nativas de restinga foram plantadas em 31 áreas. A previsão é chegar a 300 mil mudas.
Também está sendo implantado um sistema contínuo de dunas, com altura entre 1 metro e 1,5 metro e cerca de 26 metros de largura. O projeto inclui ainda cercamentos ecológicos, passarelas elevadas e sinalização ambiental.
A estrutura busca favorecer a fixação da vegetação de restinga e contribuir para a estabilidade da nova faixa de areia.
Para o presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, a obra associa o aprofundamento do canal de navegação à recuperação da faixa costeira de Itapoá.
“Aumenta a segurança costeira, preserva o acesso público às praias e fortalece a resiliência da comunidade frente aos riscos climáticos”, afirmou.
Dragagem tem investimento de R$ 333 milhões
A obra de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga tem investimento previsto de R$ 333 milhões e é resultado de uma parceria entre os portos de São Francisco do Sul e Itapoá.
O acordo estabelece que o porto público participe com R$ 33 milhões, enquanto o terminal privado Itapoá financia R$ 300 milhões. O valor investido pelo terminal privado será ressarcido de forma parcelada até 2037, a partir de receitas adicionais geradas pelo aumento no número de navios e no volume de cargas movimentadas após a conclusão do aprofundamento.
A intervenção também deve eliminar a necessidade de fundeio intermediário para embarcações que operam no Porto de São Francisco do Sul. A estimativa é de uma economia de aproximadamente R$ 20 milhões por ano para os navios que utilizam as instalações portuárias.
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