
A Prefeitura de Florianópolis instituiu, por meio do Decreto nº 29.806, o Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA), primeira trilha de longo curso do município. Com 95,2 quilômetros de extensão, o percurso começa na Caieira da Barra do Sul e termina na Praia de Canasvieiras, podendo ser realizado nos dois sentidos. A iniciativa reúne trilhas e caminhos já existentes e atravessa dez unidades de conservação da Ilha.
O trajeto passa por ambientes que vão de praias ao nível do mar a morros com até 232 metros de altitude. Entre as áreas protegidas estão o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri, o Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste e o Refúgio de Vida Silvestre Municipal Meiembipe. O caminho também incorpora trechos conhecidos, como o Caminho dos Naufragados, a trilha da Boa Vista e a Trilha do Morro do Rapa.
Conservação ambiental e comunidades locais

Segundo os responsáveis pelo projeto, o CAISCA busca conectar áreas naturais e valorizar o patrimônio histórico e cultural da Ilha. Cerca de 41% da área terrestre de Florianópolis está protegida por unidades de conservação. O percurso abrange ambientes da Mata Atlântica, como florestas, restingas e manguezais, além de áreas com registros arqueológicos, incluindo sambaquis, inscrições rupestres e oficinas líticas. A região também abriga cerca de 400 espécies de aves, e a baleia-franca-austral pode ser avistada no litoral entre julho e novembro.
A travessia completa exige pernoite, o que pode gerar demanda por hospedagem, alimentação e serviços de condução em comunidades como Caieira da Barra do Sul, Pântano do Sul, Armação, Campeche, Barra da Lagoa e Ingleses. O projeto foi coordenado pelo Departamento de Unidades de Conservação da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), no âmbito do Programa Roteiros do Ambiente, que atua desde 2015 no mapeamento, manejo e sinalização de trilhas. O planejamento foi retomado em 2024 e contou com vistorias de campo e participação de instituições ambientais e conselhos gestores das unidades envolvidas.
O decreto estabelece regras para a utilização do caminho. Entre as proibições estão danificar placas e equipamentos de sinalização, capturar ou coletar espécies nativas, alimentar animais silvestres, descartar resíduos de forma inadequada, instalar estruturas sem autorização e modificar o traçado das trilhas sem permissão. Também deve ser respeitado o acesso a áreas restritas e as normas previstas nos planos de manejo das unidades de conservação.
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