
A política mudou
Quem conhece a trajetória política da prefeita Carmen Zanotto sabe que ela cultiva uma postura discreta e de distanciamento das grandes polêmicas. O problema é que a política mudou.
Hoje, os acontecimentos são narrados em tempo real, e a cobrança por posicionamentos é imediata. Em cenários de crise, o silêncio ou a demora em enfrentar determinados assuntos podem gerar consequências políticas mais adiante. Por isso, é preciso amarrar as pontas; aquelas que permanecem soltas tendem a se transformar em questionamentos, ruídos políticos e problemas futuros.
Posicionamento
Do ponto de vista pessoal, muitas vezes a estratégia mais confortável é evitar exposição, conflitos e desgastes. No plano institucional, porém, nem sempre existe essa opção. Quem ocupa um cargo público tem o dever de enfrentar crises, administrar tensões e reduzir impactos políticos futuros. Estrategicamente, além de prestar satisfações à sociedade, essa é uma forma de se antecipar a previsíveis e indigestos questionamentos.
Nesse caso, falo de domínio da narrativa.
Enfrentamento estratégico
Se a prefeita aposta que o caso do vice-prefeito terá uma solução rápida, enganou-se. A batalha jurídica está apenas começando. Não se pode descartar a possibilidade de Jair obter efeito suspensivo da decisão que determinou a perda de seu mandato.
Enfrentar a situação, nesse caso, não significa ampliar conflitos, mas administrá-la de forma transparente para reduzir danos e evitar que eles se prolonguem. Com uma comunicação eficiente e estratégica, uma crise moral (no caso do vice) pode ser transformada em oportunidade para reafirmar princípios, valores e compromissos perante a população.
Afinal, se em apenas três meses de mandato surgiram fatos que colocaram em dúvida as condições psiquiátricas de Jair Júnior para exercer um cargo de tamanha responsabilidade e pressão, foi Carmen quem o avalizou perante a sociedade. Foi ela quem deixou claro: este será o prefeito da cidade quando eu estiver ausente.
Possíveis consequências
Na próxima campanha, sobretudo se a avaliação do governo não estiver consolidada, o caso do vice-prefeito tende a ser amplamente explorado pelos adversários. Cabe somente à prefeita o trabalho de mitigar os danos futuros ao seu mandato.
O defunto está na sala. Não parece uma boa ideia deixá-lo lá para carregá-lo durante toda a campanha.



