
A 36ª edição da Festa Nacional do Pinhão contou com um show gospel na noite de segunda-feira, apresentado pelo grupo Get Worship. A iniciativa de incluir a música gospel na programação do evento ocorre onze anos após a última vez em que artistas do segmento evangélico se apresentaram no Palco Nacional.
O episódio acendeu debate sobre os limites entre representação institucional e promoção política em eventos financiados com recursos públicos. Nas redes sociais, manifestações de agradecimento pela realização do show foram direcionadas ao vereador Castor Marca, apontado por apoiadores como um dos articuladores da iniciativa.
Por outro lado, integrantes e simpatizantes do segmento gospel questionaram a conduta dos parlamentares no início do evento, naquilo que classificaram como “um verdadeiro showmício”, em razão dos seus pronunciamentos no do show.
Cabe ressaltar que a iniciativa partiu da Frente Parlamentar Evangélica, composta pelos vereadores Castor, Nixon, Pastor Marcelo Soares, Gabriel Córdova e Jonata Mendes, circunstância que contribui para afastar a interpretação de que o evento tenha sido concebido com a finalidade de promover politicamente agentes específicos.
A participação dos vereadores do segmento evangélico em um evento voltado ao próprio público gospel, realizado fora do período eleitoral e sem registro de discursos de conteúdo eleitoral ou de autopromoção política, também enfraquece a tese de utilização indevida de recursos públicos para favorecimento pessoal.
Nesse contexto, a presença dos parlamentares pode ser compreendida como decorrência da atuação institucional da Frente Parlamentar Evangélica para inclusão da atração na programação do evento.
No entanto, a política não é feita apenas de fatos, mas também de percepção. Embora a tese de irregularidade seja frágil, o fato gera polêmica por comportar diferentes interpretações, e a percepção daqueles que entenderam tratar-se de um “verdadeiro showmício” gera, queira ou não, uma marca negativa na imagem dos vereadores.
Da parte deste colunista, o fato que mais chamou atenção foi uma página de rede social de grande alcance, que mantém contrato de publicidade com a prefeitura, realizar uma publicação em colaboração com os vereadores Castor Marca e Jonata Mendes, vinculando o evento às imagens de ambos, uma vez que, institucionalmente, como já dito, tratou-se de uma ação articulada pela Frente Parlamentar Evangélica, composta por cinco integrantes.
Afinal, se a iniciativa foi construída pela Frente Parlamentar Evangélica, composta por cinco integrantes, a associação pública do evento a apenas dois vereadores naturalmente abre espaço para diferentes interpretações.
Nem tudo o que é legal escapa ao julgamento da opinião pública.



