HISTÓRIAS DA POLÍTICA CATARINENSE que a História não contou: os obstáculos no caminho da candidatura de Vilson Kleinubing a Governador.


Foto de Paulo Gouvêa

Paulo Gouvêa

Antigo JSC. Arquivo Histórico de Blumenau.

Em 1990, à medida que o primeiro trimestre avançava para seu final, a avaliação de quem seria o candidato a Governador pela provável coligação do PSD com PFL ganhava pressa e, em consequência, produzia inúmeras reuniões, algumas públicas, outras reservadas.

Havia um limite extremo: aquilo que se costuma chamar de “data fatal”. Era o dia 3 de abril. Só poderia ser candidato na eleição a seguir quem, até às 23:59 daquele dia, tivesse renunciado ao cargo que vinha exercendo.

Esperidião e Vilson, ambos prefeitos incumbentes, desejosos de compartilharem a mesma chapa, necessitavam entender-se quanto a seus dilemas: os dois se afastariam de seus postos, ou apenas um? E, neste caso, qual deles?

Havia uma pedra no caminho.

Uma certeza nessa combinação de sonhos e apreensões era a absoluta impossibilidade de o cidadão Vilson Pedro Kleinubing abandonar seu cargo de Prefeito de Blumenau para concorrer, por exemplo, a Senador.

Kleinubing prometera, durante a campanha para Prefeito, em 1988, que não deixaria na mão quem votasse nele para administrar a cidade. Ou seja, que ele ficaria no cargo até o final de seu mandato. Isso significava o oposto do que ele estava prestes a fazer. Para ser candidato como seu partido queria e ele desejava, teria de renunciar ao cargo do qual tinha garantido que não renunciaria. Esse fator cobria de temores o Prefeito de Blumenau. E enrijecia as negociações.

A hipótese do Senado e a escolha de Amin.

Caso não tivesse prometido que permaneceria no cargo, é possível que Vilson Kleinubing concordasse em disputar tão honrosa posição no Congresso Nacional, como fez quatro anos mais tarde. Isso, em 1990, era inimaginável.

A situação de Amin era semelhante. Ele também era Prefeito, e da Capital do Estado. Já havia sido Senador. Seria embaraçoso, para ele, sair da Prefeitura para ser candidato a qualquer coisa menos importante que o Governo. A diferença era que sua eventual renúncia não teria a dramaticidade daquela de Vilson.

Como também já havia sido Governador, o retorno ao Senado lhe exigia justificativas menos complexas. E talvez lhe parecesse mais aprazível.

A sombra do descumprimento e a autorização dos blumenauenses.

O ainda Prefeito de Blumenau só estava ali discutindo com Amin quem, por hipótese, encabeçaria a chapa de 1990, porque já tínhamos feito pesquisas para avaliar o sentimento dos eleitores blumenauenses em relação à renúncia. O resultado, revelado por vários institutos, foi o entusiástico apoio à candidatura governamental do Prefeito.

Se não tivéssemos tomado conhecimento desse estado de espírito da população, nem se começaria alguma conversa sobre candidatura. Vilson teria ficado no seu posto e pronto. Aqueles que votaram nele, no entanto, davam-lhe seu aval para buscar o novo grande desafio.

Artigo de Vilson Kleinubing no antigo JSC. Arquivo Histórico de Blumenau.

O cavalo encilhado.

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O raciocínio dos blumenauenses, desvendado pelas pesquisas, continha uma causa mais profunda e mais antiga que a pura decisão de Vilson entre ficar ou sair. O que o povo revelou foi um imenso desejo de ter um Governador “de Blumenau”, alguém saído dali, com uma inequivocamente forte ligação com a cidade. Aspiração essa nunca antes alcançada. E a oportunidade de conquistá-la tinha, enfim, surgido.

Não se deveria, pois, deixar que um cavalo, assim tão adequadamente encilhado, passasse e fosse embora. Esse corcel estava personificado na candidatura do popularíssimo Prefeito de Blumenau.

Próxima coluna.

Na cabeça ou nada. Ou Vilson correria a Governador ou ficaria onde estava.