Pesquisa aponta violência contra mulheres como principal preocupação criminal dos brasileiros


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Redação Santa Catarina em Pauta

Levantamento mostra que 60% dos brasileiros consideram o problema o crime mais grave do país / Foto: Magnific

A violência contra as mulheres é considerada atualmente o crime mais grave do país por 60% da população brasileira, segundo dados de uma pesquisa Datafolha citados em artigo da promotora de Justiça Chimelly Luise de Resenes Marcon, coordenadora-geral do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) do Ministério Público de Santa Catarina. Conforme o levantamento, a preocupação com esse tipo de violência supera, na percepção dos entrevistados, problemas como tráfico de drogas, roubos e assaltos à mão armada.

No artigo publicado no Jornal Notícias do Dia, a promotora destaca que o resultado reflete uma mudança na forma como a sociedade enxerga a violência de gênero. Segundo ela, durante muitos anos as agressões contra mulheres foram tratadas como questões privadas, restritas ao ambiente doméstico. Para Chimelly Marcon, o levantamento demonstra que o tema passou a ser reconhecido como um problema social de grande relevância e impacto coletivo.

A autora também avalia que os números apenas tornam mais visível uma realidade já vivenciada por muitas mulheres. Em sua análise, o medo da violência está presente em situações cotidianas, como deslocamentos sozinhas, o encerramento de relacionamentos abusivos e episódios de ameaças, perseguições e constrangimentos. “O que parece novo é o fato de que esse temor começa a ser compartilhado e reconhecido de forma mais ampla pela sociedade”, afirma no artigo.

Apesar da maior conscientização, Chimelly Marcon observa uma contradição entre a preocupação demonstrada pela população e a permanência de práticas que contribuem para a manutenção da violência de gênero. Em sua avaliação, combater o problema exige mais do que reconhecer sua gravidade. A promotora defende que é necessário enfrentar fatores como machismo, sexismo, misoginia e a culpabilização das vítimas, transformando a percepção social em ações efetivas de prevenção e proteção às mulheres.

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