Mulher é denunciada por se passar por criança de 11 anos e enganar casal em Joinville


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Redação Santa Catarina em Pauta

Investigação aponta que acusada criou identidade falsa, simulou situação de vulnerabilidade e recebeu benefícios materiais durante mais de um ano – Foto: Cristiano Andujar/MPSC

Uma mulher de 37 anos foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pelos crimes de estelionato e falsa identidade após se passar por uma criança de 11 anos e enganar um casal em Joinville, no Norte do Estado. A denúncia foi recebida pela Justiça nesta terça-feira (9) e a Promotoria pede a condenação da acusada pelos crimes investigados.

De acordo com a ação penal, a mulher teria criado a identidade fictícia de “Gabriele Ferreira dos Santos” e, entre fevereiro de 2025 e junho de 2026, convenceu as vítimas de que era uma menina em situação de vulnerabilidade. Com isso, passou a receber moradia, alimentação, transporte, medicamentos e outras despesas custeadas integralmente pelo casal.

Segundo a investigação, a acusada teria construído uma narrativa envolvendo supostos abusos, maus-tratos familiares e exploração para sensibilizar as vítimas. O inquérito aponta ainda que ela adotava comportamentos compatíveis com a personagem criada, incluindo fala infantilizada, uso de objetos associados à infância e simulação de crises emocionais.

Para o Ministério Público, os elementos reunidos indicam um esquema planejado para obter vantagens materiais por meio da manipulação emocional das vítimas.

Paralelamente à ação penal, a Justiça determinou a instauração de um incidente de insanidade mental para avaliar a condição psicológica da denunciada. A medida foi solicitada pela defesa e prevê a realização de exame médico destinado a verificar se ela tinha capacidade de compreender o caráter dos atos praticados e de responder por eles.

Caso o laudo conclua que a acusada não possuía plena capacidade de entendimento ou autodeterminação à época dos fatos, o resultado poderá influenciar o andamento do processo e até mesmo o tipo de medida aplicada pela Justiça. Enquanto a avaliação não for concluída, a ação penal permanecerá suspensa.

O inquérito policial também aponta que a mulher teria adotado condutas semelhantes em outras cidades e estados do país. Há registros de ocorrências em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e, em Santa Catarina, nas cidades de Florianópolis e Chapecó. No município do Oeste catarinense, ela já responde a outra ação penal por fatos considerados semelhantes.