Mário Motta assume protagonismo no caso Cão Orelha; Marcius Machado perde timing político


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Jean Carlo Lima

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Mario consegue as assinaturas necessárias para a abertura da CPI e expõe certa fragilidade política da Comissão de Proteção, Defesa e Bem-Estar Animal, presidida justamente por Marcius Machado, parlamentar que construiu sua trajetória política em torno da causa animal.

Diante da repercussão nacional e até internacional do caso, bem como da intensa comoção social gerada, especialmente em razão do desfecho judicial questionável, seria natural supor que, diante de tamanha inconformidade, surgissem novas tentativas de se fazer justiça. Nesse contexto, os mecanismos políticos se apresentam como uma das possíveis vias para a reabertura do debate e a busca por novas soluções.

Para além da questão judicial posta até o momento, agora, com a iminente instauração da CPI, é fundamental examinar os desdobramentos políticos que, neste momento, assumem o protagonismo e, em certa medida, sobrepõem-se ao debate jurídico.

Ao se colocar como proponente da matéria, Mário assume uma articulação delicada, que pode gerar desgastes políticos diretos à Casa da Agronômica e até mesmo dentro da própria Assembleia, muito por ter abraçado uma causa que, naturalmente, por identificação e prerrogativas, deveria ser encampada pelo deputado Marcius Machado, presidente da Comissão de Proteção, Defesa e Bem-Estar Animal.

Por estar no início, não é possível mensurar o ganho político de estar à frente de um caso de grande repercussão como este. Ainda assim, o fato de assumir a frente de uma pauta relacionada à principal bandeira de outro parlamentar e, além disso, impor uma derrota parcial ao governo são fatores que fortalecem a liderança de Mario Motta dentro do Parlamento e o recolocam em uma vitrine de projeção estadual.

Marcius Machado perde timing político

Embora o deputado Marcius Machado tenha assinado pela abertura da CPI, chama a atenção o fato de ele ser o presidente da comissão ligada aos animais e não ter sido o proponente nem ter solicitado associação à matéria. Além disso, o silêncio do deputado em relação ao caso gera certo desconforto no ativismo da causa animal.

Tudo isso pode levar a diferentes interpretações. Mas o fato é que, enquanto Mario Motta assumiu o protagonismo da articulação, Marcius Machado adotou uma postura mais reservada em um caso que pode produzir reflexos políticos negativos para o governador Jorginho Mello, seu aliado de primeira hora.

No campo das hipótese, Marcius Machado pode ter deixado passar uma oportunidade política relevante de estadualizar ainda mais seu nome, justamente pelo lastro e pela trajetória pública construída à frente da causa animal na Serra Catarinense.