Carmen Zanotto inaugura recepção infantil na UPA, mas pode perder R$ 33 milhões para a nova policlínica por questões ideológicas


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Jean Carlo Lima

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Ontem (02/07), a prefeita Carmen Zanotto participou do ato de inauguração da nova recepção infantil da UPA de Lages. A obra foi viabilizada por meio de uma emenda do deputado Marcius Machado (PL), que, segundo ele, atendeu a uma demanda da comunidade pela separação da triagem entre crianças e adultos. O espaço é temático, moderno e bem equipado.

Entretanto, para além de resolver focos de alagamento e ampliar a estrutura da UPA, Carmen Zanotto ainda tem uma promessa de campanha a cumprir: a construção da nova policlínica regional, apresentada em seu plano de governo como um dos compromissos para o mandato. Os recursos para a obra são oriundos do Novo PAC, do governo federal, que destinou R$ 33 milhões a quatro cidades catarinenses: Blumenau, São José, Lages e Balneário Camboriú.

São José e Balneário Camboriú deram um passo decisivo com a assinatura da ordem de serviço conjunta, realizada pelo Governo Federal e por representantes do Ministério da Saúde, autorizando o início oficial dos trâmites para a implantação da estrutura especializada. Em Blumenau, a interposição de entraves — considerados ideológicos por lideranças políticas da região — fez com que a obra fosse transferida para a cidade de Indaial.

Por outro lado, o projeto de Lages é o que apresenta o ritmo de evolução mais lento entre os municípios selecionados pelo programa, de acordo com informações do governo federal. Portanto, há uma preocupação real de que a cidade siga o mesmo caminho de Blumenau e acabe perdendo esse recurso por questões ideológicas, uma vez que o governo Jorginho Mello (PL), aliado da prefeita Carmen Zanotto, sequer conseguiu realizar uma obra relevante em Lages durante todo o mandato.

A questão maior que fica de tudo isso é que o ex-prefeito Ceron nunca foi da área da saúde, não utilizou, em campanha, a construção da nova UPA como projeto de seu governo, mas acabou entregando a obra, construída em parceria com o governo federal.

Já Carmen Zanotto, profissional da área da saúde, enfermeira e eleita há décadas pela classe, incorporou o projeto da nova policlínica — financiada com recursos 100% federais — como um dos projetos de seu governo. Com quase metade do mandato cumprido, até agora não avançou nas etapas necessárias e, infelizmente, com tanto desapontamento, tem conseguido um feito inédito: fazer alguns lageanos sentirem saudades do Ceron.