Novo tarifaço dos EUA ameaça exportações, competitividade e empregos em SC


Foto de Redação Santa Catarina em Pauta

Redação Santa Catarina em Pauta

Federação estima que as novas tarifas coloquem a indústria catarinense em desvantagem frente a principais concorrentes internacionais – Foto: Magnific

A entrada em vigor da nova rodada de tarifas de importação dos Estados Unidos, prevista para 15 de julho, deve ampliar os desafios para a indústria catarinense. A avaliação é da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), que divulgou um estudo apontando impactos sobre as exportações, a competitividade e o emprego no Estado.

“O impacto projetado para esta nova fase tarifária é similar aos danos que já experimentamos no primeiro tarifaço. A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo à economia do estado”, afirma o presidente da entidade, Gilberto Seleme.

O levantamento mostra que a tarifa nominal máxima aplicada pelos Estados Unidos cairá de 50% para 37,5%. No entanto, a tarifa efetiva para os produtos catarinenses permanecerá elevada, passando de 47,8% para 35,9%.

“Esta aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos de SC no mercado americano segue prejudicada”, avalia o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt.

Os reflexos do primeiro pacote tarifário já foram sentidos pelo setor produtivo. Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, as exportações catarinenses para os Estados Unidos caíram 38,3%, reduzindo a média mensal de embarques de US$ 141 milhões para US$ 87 milhões.

Com a adoção do novo regime tarifário, a entidade estima que a retração das exportações para o mercado norte-americano possa chegar a cerca de 40%, comprometendo principalmente segmentos com maior participação de produtos manufaturados.

O estudo também aponta que 518 produtos catarinenses devem perder competitividade na comparação entre o primeiro e o segundo tarifaço, enquanto 608 poderão apresentar melhora relativa. “O que nos preocupa é que, a despeito disto, há perda de oportunidades para as indústrias de SC, já que as tarifas efetivas dos concorrentes de outros países enfrentarão alíquotas mais baixas que as brasileiras”, salienta Bittencourt.

O complexo de madeira ilustra bem este cenário: enquanto a madeira perfilada ganha fôlego com melhora de 6,2 pontos percentuais em relação aos competidores considerando o primeiro tarifaço, portas e molduras de madeira perderão ainda mais espaço, registrando retração de 2,2 p.p. em sua margem competitiva.

Segundo a federação, Santa Catarina tende a sofrer impacto superior ao restante do país devido à elevada participação da indústria de transformação na pauta exportadora. “Esta assimetria reflete a alta concentração de produtos manufaturados na pauta catarinense, que possuem alta exposição às novas sobretaxas. Enquanto a parcela das exportações brasileiras afetadas pelas tarifas recua de cerca de 33% para 25%, em Santa Catarina ela se mantém praticamente estagnada em elevadíssimos 56%. Esta disparidade evidencia que a perda de competitividade estadual frente ao mercado global será muito mais profunda e exigirá resiliência extrema dos nossos setores industriais”, analisa Bittencourt.

Confira no vídeo a análise completa do economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt.

Acesse o nosso Canal no WhatsApp!

Criamos um canal oficial no WhatsApp — e você já pode fazer parte!

Mais agilidade, mais bastidores, mais DENÚNCIAS direto no seu celular.

Sem grupos, sem conversas, só informação exclusiva, com a credibilidade do SCemPauta.

Acesse e siga agora:

https://whatsapp.com/channel/0029Vb6oYQTEgGfKVzALc53t

E NÃO ESQUEÇA DE ATIVAR O SININHO PARA RECEBER TUDO EM TEMPO REAL!