Como o GAECO chegou equivocadamente a suspeitar de Gilberto Leal


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Luiz Veríssimo

Imagem criada por IA: Gaiola Digital em Joinville.

Investigadores do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) – uma força tarefa permanente coordenada pelo Ministério Público – descobriram um grupo de WhatsApp chamado “licitação em Joinville”. Nele, o dono da empresa Pública Tecnologia Ltda estaria orientando seu subordinado a entrar em contato com o “chefe de gabinete” do prefeito de Joinville.

Outra secretaria

Os investigadores concluíram apressadamente que se tratava de Gilberto Leal Júnior, que na época era “secretário de governo”, cargo essencialmente político e que foi herdado da administração anterior. Talvez tenha faltado um pouco mais de tempo na investigação para eles tomarem conhecimento de que Gilberto não atuava na área de licitações – e sim a secretaria de administração, que tem uma divisão com equipe especializada.

Figura central?

Com base em informações subjetivas e codificadas equivocadamente pelo GAECO, o Ministério Público pediu a indisponibilidade dos bens do ex-secretário, a quem o classificou como “figura central” na investigação. O Poder Judiciário negou ao argumentar que, “embora haja indícios de atuação irregular de particulares, a mesma imputação não decorre plausível em desfavor do agente (Gilberto Leal Júnior), contra o qual não pesa ato concreto, autoria ou demonstração de que tenha praticado, ordenado ou anuído com ato ilícito”.  

Novo cargo

Na reforma administrativa de 2025 foi criado o cargo de Chefe de Gabinete do prefeito e o escolhido foi alguém de confiança de Adriano Silva, Luiz Gustavo de Souza Prim, ex-funcionários do Laboratório Catarinense por 16 anos, muitos dos quais como assessor-executivo do então presidente, o próprio Adriano Silva.

Pública Tecnologia Ltda

A primeira vez que o colunista ouviu o nome da empresa Pública Ltda foi há cerca de 14 anos, quando a primeira administração Udo Döhler fez uma ampla reforma digital, buscando substituir o papel. Lembro de ter perguntado a um secretário o por que uma empresa de Blumenau foi a escolhida para o projeto, já que em Joinville havia uma ou duas em condições técnicas semelhantes. “É a legislação, ganhou quem apresentou o preço menor”, respondeu. Assim, a empresa é velha fornecedora da Prefeitura local.

Pregão eletrônico

Em nota, a Prefeitura de Joinville informou que a licitação 313/2023 (primeiro ano de governo Adriano Silva) teve três concorrentes no pregão eletrônico e a vencedora foi a que apresentou menor valor.

Foto: Divulgação / Vereador aos 21 anos e deputado aos 36

Kennedy Nunes

Faltam 12 dias para a convenção do PL que irá homologar a candidatura à reeleição de Jorginho Mello, o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva como vice e as demais candidaturas. Em Joinville, pelo menos, ninguém sabe o destino do ex-secretário da Casa Civil Kennedy Nunes desde de que deixou o cargo prematuramente para “estar à disposição” de uma missão eleitoral.

Suplente

Há menos de quatro anos, Kennedy fez 443.425 votos para senador pelo PTB, 78.804 dos quais somente em Joinville. O que aconteceu para que seu patrimônio eleitoral tenha sido tão depreciado em tão pouco tempo? Há disponível apenas duas (primeira e segunda) vagas de suplentes de senador.

Foto: Redes Sociais / Carlos Bolsonaro em Itapoá

NOVO X Carlos Bolsonaro

Uma fonte revelou que o partido não nunca concordou com a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado e por isso suas principais lideranças não compareceram na recepção a ele na quarta-feira no município. Outra informação acrescenta que também o partido Republicano não teria comparecido propositadamente. Afinal, quem esteve lá?

MDB x PL

Talvez a maior rivalidade entre os dois partidos em Santa Catarina esteja em Itapoá. Eles disputaram uma eleição muito polêmica em 2024, com vitória de Jeferson Cardoso (MDB) por 7.669 contra 6.037 de Tiago de Oliveira (PL). Na Câmara de Vereadores, ambos elegeram três. NOVO e Republicanos não elegeram nenhum. Não foi acaso que a futura coligação PSD/MDB/UB escolheu Itapoá para um grande encontro na semana passada. Pelas belas praias é que não foi.

MDB e União Brasil

Já em Araquari pode haver novidades na futura disputa municipal. Kátia Cardoso (MDB) tem chamado o ex-prefeito Clenilton Pereira (UB) de “grande líder”, aumentando com isso os boatos de que ela já teria acertado o apoio dele (Clenilton) e de seu grupo político para disputar a prefeitura em 2028. Como dizia Garrincha, falta combinar com o atual prefeito, Jasper Gordo (ex-vice de Clenilton), que é do PSD e candidato natural à reeleição.

Pesquisa

Um amigo da coluna garante que foi entrevistado por um instituto de pesquisa por telefone no final da semana passada. Dentre os nove nomes apontados na “estimulada” não estava Eduardo Cesconetto (Republicanos). Esquecimento?