
O crescimento de faixas etárias que historicamente registram maior participação nas eleições e as características do pleito geral de 2026 podem contribuir para um aumento do comparecimento às urnas em Santa Catarina. Dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) mostram que o Estado passou a contar com 5.725.753 eleitores, cerca de 85 mil a mais do que em 2024. Entre as mudanças observadas está o aumento de 71 mil eleitores com idades entre 30 e 69 anos, grupo que costuma apresentar maior índice de participação, enquanto a faixa de 18 a 29 anos, que registra menor comparecimento entre os eleitores de voto obrigatório, reduziu em 61 mil pessoas.
Outro fator apontado é o perfil das eleições gerais, que tradicionalmente mobilizam mais eleitores do que os pleitos municipais por envolverem a escolha de presidente da República, governadores, senadores e deputados. Também houve crescimento de cerca de 4 mil eleitores entre 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, mantendo uma tendência de maior participação observada desde 2018. O desembargador e diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Santa Catarina (EJESC), Sérgio Francisco Carlos, destacou que campanhas da Justiça Eleitoral têm contribuído para ampliar o engajamento desse público.
O eleitorado com 70 anos ou mais também aumentou, chegando a representar cerca de 10% dos votantes catarinenses, com acréscimo de 73 mil pessoas em relação a 2024. Embora o comparecimento desse grupo ainda fique abaixo da média, especialmente entre eleitores com mais de 80 anos, a participação vem crescendo nas últimas eleições. Segundo Sérgio Francisco Carlos, fatores como condições de saúde, mobilidade e desestímulo político podem influenciar a abstenção, enquanto medidas como atendimento prioritário nas seções eleitorais e facilidades para pessoas com mobilidade reduzida buscam incentivar o voto. “A participação deixa a democracia mais altiva”, afirmou o desembargador.
Além das mudanças etárias, o perfil do eleitorado mostra que as mulheres ampliaram a maioria entre os votantes, passando de uma diferença de 212 mil para 258 mil eleitoras em relação aos homens. Os dados também indicam aumento gradual da escolaridade, embora o ensino médio completo continue sendo o nível de instrução predominante. Já os grupos com voto facultativo — jovens de 16 e 17 anos, idosos com 70 anos ou mais e pessoas analfabetas — representam pouco menos de 12% do eleitorado catarinense, mantendo índices de comparecimento inferiores aos dos eleitores com voto obrigatório.
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