
Quem caminhar pelo centro de Joinville, principalmente no quadrilátero formado pelas ruas do Príncipe, Princesa Isabel, Abdon Batista e Itajaí, vai observar pelo menos 12 prédios abandonados e vários terrenos transformados em estacionamento. Neste cenário, dois prédios se destacam: o antigo Cine Palácio e a antiga sede dos Correios. Um deles já tem solução porque vai se tornar o tão sonhado Teatro Municipal. O outro só depende da boa vontade da prefeitura em comprá-lo e lá transferir muitos órgãos de atendimento ao contribuinte.
Poder limitado
A prefeitura deveria ter poder jurídico o suficiente para obrigar seus proprietários a reformar ou negociar imóveis abandonados. A proposta já aprovada de IPTU progressivo só vale para terrenos baldios e não resolveu a situação. Uma legislação mais rígida deveria impor uma solução para os prédios abandonados, alguns deles já tombados. Na Rua 9 de março, por exemplo, o antigo prédio da Celesc foi adquirido em leilão por uma loja de calçados da região Oeste, mas a sua fachada (tombada pelo Município) continua abandonada. Outra cicatriz no rosto do centro da cidade.
Teatro Municipal
O antigo Teatro Nicodemos se transformou em cinema e, durante as últimas décadas, em templo religioso. Uma disputa sobre quem seria o responsável por uma ampla reforma no prédio (também tombado) acabou forçando a Igreja Universal do Reino de Deus a abandoná-lo. A família proprietária do prédio histórico o abandonou porque não poderia pagar pela reforma, sem a qual jamais poderia alugá-lo. Com a ajuda financeira do Governo do Estado, a Prefeitura de Joinville desapropriou o imóvel e indenizou as lojinhas em seu entorno, todas já estão desocupadas, aguardando a demolição.

Abandonado há mais de 16 anos, a antiga sede dos Correios em Joinville é outro exemplo de abandono de prédio público. Inaugurado em 1º agosto de 1970, durante o chamado “Milagre Brasileiro”, o prédio dos Correios tem 3 mil m2 e 1,5 mil de área construída. A empresa estatal tentou leiloá-lo em 2020 e 2021 com lance mínimo de R$ 8,1 milhões e R$ 11,7 milhões. Ambos os certames deram desertos. Depois, uma imobiliária de Florianópolis contratada pelos Correios tentou vendê-lo, também sem sucesso.
Duas propostas
A Vereadora Vanessa da Rosa (PT) tentou em Brasília a transferência do prédio para o Instituto Federal de Educação e lá implantar uma sede do órgão de ensino profissionalizante. Apesar de ser elogiável, a idéia não prosperou. A Prefeitura de Joinville tentou comprar o imóvel com uma proposta que não foi aceita (R$ 6 milhões em 60 parcelas mensais). A compra deveria ser prioridade da prefeita Rejane Gambin. Por estar no centro, a uma quadra do terminal central do transporte coletivo, o local seria adequado para lá construir um anexo da prefeitura com órgãos de atendimento ao público.
Curtas
– Ontem pela manhã, após indisposição, o vereador licenciado Kiko da Luz (PSD) foi hospitalizado na UNIMED para exames.
– Continua internado na UTI do Hospital São José o advogado e ex-presidente da OAB local Natanael Rocha, também para uma bateria de exames.
– Em breve, o Hospital Bethesda vai poder realizar cirurgias bariátricas. O convênio está sendo articulado pelo deputado estadual Maurício Peixer, que prevê o início das cirurgias em menos de dois meses.
– Perguntado pela coluna se o Hospital Bethesda está recebendo da Secretaria da Saúde os valores das cirurgias do convênio com o Governo do Estado – o hospital é o segundo em número de cirurgias – o diretor-geral Dr. Lúcio Slovinski resumiu: pontualmente.


