
Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Balneário Camboriú, desenvolvem um método de dispersão mecânica de petróleo que utiliza jatos de água sob pressão como alternativa ao uso de dispersantes químicos em casos de vazamento no mar. O estudo integra o projeto Subjet, realizado em parceria com a Petrobras, e busca produzir dados que contribuam para respostas mais rápidas e com menor impacto ambiental em acidentes envolvendo derramamento de óleo. “Nosso estudo busca demonstrar que o impacto mecânico pode ser uma alternativa viável ao uso do dispersante. Não queremos acabar com um problema ambiental acrescentando outro químico à água”, afirma o coordenador da pesquisa, Luiz Adolfo Hegele Júnior.
Com investimento de R$ 13 milhões da Petrobras, o projeto prevê, até janeiro de 2027, a realização de uma simulação em grande escala para identificar a pressão e o volume ideais dos jatos de água capazes de fragmentar o petróleo em microgotículas. A pesquisa conta com a colaboração do instituto norueguês SINTEF Ocean, referência internacional em estudos sobre o comportamento do petróleo no ambiente marinho. Segundo Hegele, os experimentos realizados na Noruega servem para validar os modelos computacionais desenvolvidos pela equipe da Udesc. “A quantidade de gotículas medida nos experimentos é o dado de entrada do simulador. Já o dado de saída é o tempo que esse óleo vai demorar para sair da superfície”, explica.
A etapa atual do projeto concentra esforços na adaptação dos modelos às características do petróleo brasileiro e às condições ambientais do litoral nacional, considerando fatores como viscosidade do óleo, temperatura da água, correntes marítimas e ventos. A equipe também utiliza o Método Reticulado de Boltzmann para descrever matematicamente o comportamento das gotículas após a dispersão mecânica, buscando maior precisão nas simulações.
Além da produção de conhecimento científico, o projeto impulsiona a modernização da infraestrutura da Udesc, com a aquisição de equipamentos para os laboratórios de Engenharia de Petróleo, e gera impactos na formação de pesquisadores e na criação de empregos. Ao todo, 25 profissionais participam da iniciativa, que também financia bolsas de pesquisa para estudantes e pós-doutorandos. Após a conclusão prevista para 2027, a equipe pretende buscar novos recursos para dar continuidade às pesquisas desenvolvidas pelo laboratório Geoenergia.
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