
Durante a Logistique 2026, realizada em Balneário Camboriú, representantes do setor produtivo e da área de logística discutiram os principais desafios para ampliar a competitividade brasileira no comércio internacional. Entre os pontos abordados no painel “O Brasil Produz Bem. Por que Ainda Entrega Caro?” estiveram os gargalos de infraestrutura, a integração entre rodovias, ferrovias e portos, a burocracia e a necessidade de maior digitalização dos processos. O presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da FIESC, Maurício Battistella, defendeu que os projetos estruturantes sejam planejados de forma integrada e com visão de longo prazo. “Precisamos olhar isso como um planejamento global, com uma discussão de longo prazo”, afirmou.
Battistella também destacou a necessidade de ampliar a capacidade de investimento por meio de concessões, especialmente no transporte rodoviário, e ressaltou que a expansão dos portos precisa ser acompanhada por melhorias nos acessos e no escoamento das cargas. Segundo ele, “não adianta ampliar a capacidade portuária sem garantir que a carga tenha como chegar e sair dos terminais”. O representante da General Motors, Fernando Zamperlini, apontou ainda a importância de aumentar a previsibilidade para estimular investimentos privados, associando infraestrutura física à modernização dos processos e à integração entre os órgãos envolvidos no comércio exterior.
A necessidade de uma visão integrada também foi defendida pelo diretor da Movecta, Gustavo Paschoa, que propôs maior compartilhamento de ativos, informações e inteligência entre empresas e operadores. Para ele, o planejamento da infraestrutura deve ultrapassar ciclos de governo e se transformar em política de Estado. O executivo da ONE Brasil, Eduardo Carreira, destacou oportunidades para ampliar a conectividade marítima com diferentes regiões do país, enquanto André Duran, da Tupy, chamou atenção para os entraves burocráticos que aumentam o tempo de permanência das cargas nos portos e defendeu maior coordenação entre os agentes envolvidos na cadeia logística.
Entre as prioridades apontadas durante o painel estão a continuidade das concessões, os investimentos em rodovias e ferrovias, a ampliação da capacidade portuária, a digitalização dos processos de comércio exterior, a integração entre órgãos públicos e empresas e a qualificação da mão de obra. Os participantes avaliaram que a combinação desses fatores pode contribuir para reduzir custos, aumentar a eficiência do transporte de cargas e melhorar a competitividade dos produtos brasileiros, em um cenário de expansão da participação do país no comércio internacional.
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