
O Seminário Estadual de Autismo foi realizado nesta quarta-feira (12), no Auditório Deputada Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis, com a participação de especialistas, profissionais da educação e representantes de famílias e instituições ligadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Coordenado pela Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência e pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, o encontro teve como foco a formação de profissionais e a discussão de estratégias para ampliar a inclusão escolar. Dados da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) apontam que Santa Catarina possui cerca de 91,6 mil pessoas com diagnóstico de TEA, o equivalente a 1,2% da população estadual.
Entre os temas abordados estiveram neurociência, Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), práticas baseadas em evidências, comunicação, processamento sensorial, habilidades motoras e autorregulação. O professor e especialista em autismo Eugênio Cunha, que abriu a programação com a palestra “A Arquitetura do Aprendizado: Autismo, Neurociência e DUA”, destacou a necessidade de considerar diferentes formas de aprendizagem. “Cada criança autista é uma criança autista. Cada adolescente autista é um adolescente autista. A gente tem que primar pela possibilidade de criar estratégias diferenciadas”, afirmou. A programação também incluiu palestras de Claudia Sabatini e Fernando Calil, com conteúdos voltados à aprendizagem, inclusão e desenvolvimento de recursos pedagógicos.
Representantes de entidades e familiares também participaram das discussões. A presidente da Federação das Associações de Amigos do Autista de Santa Catarina (Feamas-SC), Catia Cristiane Purnhagen Franzoi, ressaltou a importância da qualificação profissional e apontou como desafios a ampliação dos serviços e a redução das filas de atendimento. A presidente da AMA Florianópolis, Daniela Dias Steindorff, defendeu que as estratégias sejam adaptadas às necessidades de cada pessoa. “Não há fórmula pronta para tratar o autismo. Na AMA, convivemos com essa realidade há três décadas, e nenhuma pessoa autista cabe em uma fórmula pronta”, afirmou. Alessandra Couto Vieira, coordenadora da AMA Navegantes e mãe de um jovem autista, também destacou a importância de levar os conhecimentos apresentados no seminário para as instituições e para o cotidiano das famílias.
A programação abordou ainda a perspectiva da maternidade atípica e os desafios relacionados à comunicação, às habilidades motoras, ao processamento sensorial e à autorregulação. Para os organizadores, a aproximação entre conhecimento científico, experiência profissional, famílias e poder público pode contribuir para o aprimoramento das práticas de inclusão. O seminário também reforçou a discussão sobre políticas de apoio às pessoas com TEA em Santa Catarina, incluindo iniciativas de identificação e atendimento prioritário, e colocou a inclusão escolar como um tema que envolve não apenas o acesso à escola, mas também a criação de condições para a participação, aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes de acordo com suas características e necessidades.
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