
O diabetes mellitus é uma das doenças crônicas que mais cresce no mundo. Embora muitas pessoas associem o diabetes apenas ao uso de medicamentos ou à restrição de açúcar, a doença pode provocar situações graves que exigem atendimento imediato no hospital e, em alguns casos, colocam a vida em risco.
Quando o diabetes não está controlado, tanto a glicose muito elevada quanto a glicose muito baixa podem levar a emergências médicas que necessitam de tratamento rápido.
O que é o Diabetes Mellitus?
O diabetes mellitus é uma doença caracterizada pelo aumento da glicose (açúcar) no sangue. Isso acontece porque o organismo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la de forma adequada.
A insulina é o hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células para ser utilizada como fonte de energia. Quando esse processo falha, a glicose permanece circulando no sangue, causando danos progressivos aos vasos sanguíneos e diversos órgãos.
Quais são as principais emergências relacionadas ao diabetes?
Algumas complicações podem surgir de forma rápida e representam risco imediato à vida.
Hipoglicemia
A hipoglicemia ocorre quando a glicose no sangue cai excessivamente, geralmente abaixo de 70 mg/dL.
Ela pode acontecer por excesso de insulina, atraso nas refeições, atividade física intensa ou consumo de álcool.
Os principais sinais incluem:
* Tremores;
* Suor intenso;
* Palidez;
* Fome súbita;
* Tontura;
* Confusão mental;
* Alteração do comportamento;
* Convulsões e perda da consciência nos casos mais graves.
A hipoglicemia é considerada uma emergência e deve ser tratada imediatamente.
Cetoacidose diabética
Mais frequente em pessoas com diabetes tipo 1, a cetoacidose diabética ocorre quando há falta de insulina. Sem conseguir utilizar a glicose como energia, o organismo passa a consumir gordura, produzindo substâncias chamadas corpos cetônicos, que tornam o sangue mais ácido.
Os sintomas incluem:
* Sede intensa;
* Urinar várias vezes;
* Náuseas e vômitos;
* Dor abdominal;
* Respiração rápida e profunda;
* Hálito com cheiro semelhante ao de frutas;
* Sonolência e confusão mental.
Sem tratamento hospitalar, a condição pode evoluir para coma e morte.
Estado Hiperglicêmico Hiperosmolar
Mais comum em pessoas com diabetes tipo 2, caracteriza-se por níveis extremamente elevados de glicose, desidratação intensa e alteração do estado de consciência.
É uma condição grave que exige internação e tratamento intensivo.
Quando procurar imediatamente um hospital?
Procure atendimento de urgência se houver:
* Glicemia persistentemente acima de 300 mg/dL, especialmente acompanhada de mal-estar;
* Episódios repetidos de vômitos;
* Dor abdominal intensa;
* Sonolência excessiva;
* Confusão mental;
* Dificuldade para respirar;
* Perda da consciência;
* Convulsões;
* Hipoglicemia que não melhora após administração de carboidratos.
Nessas situações, não é recomendado esperar os sintomas passarem em casa.
O diabetes também aumenta o risco de outras emergências
Além das alterações da glicemia, pessoas com diabetes apresentam maior risco para:
* Infarto agudo do miocárdio;
* Acidente Vascular Cerebral (AVC);
* Infecções graves;
* Sepse;
* Insuficiência renal aguda;
* Complicações em feridas, especialmente nos pés.
Por isso, muitos pacientes procuram o pronto-socorro inicialmente por outra doença e descobrem que a glicemia descontrolada está agravando o quadro clínico.
Como prevenir essas complicações?
A maioria das emergências relacionadas ao diabetes pode ser evitada com alguns cuidados diários:
* Monitorar regularmente a glicemia;
* Utilizar corretamente a insulina ou os medicamentos prescritos;
* Não interromper o tratamento sem orientação médica;
* Manter alimentação equilibrada;
* Praticar atividade física regularmente;
* Beber bastante água;
* Tratar infecções precocemente;
* Realizar acompanhamento periódico com a equipe de saúde.
O papel do hospital no cuidado ao paciente com diabetes
O atendimento hospitalar vai muito além de corrigir a glicemia. A equipe avalia a causa do descontrole, trata complicações associadas, realiza hidratação, reposição de eletrólitos, insulinoterapia quando indicada e monitora continuamente o paciente até sua estabilização.
O objetivo é evitar complicações graves e garantir que o paciente retorne para casa com segurança e orientações para manter o diabetes sob controle.
A melhor emergência é aquela que pode ser evitada
O diabetes não precisa limitar a qualidade de vida, mas exige acompanhamento contínuo. Conhecer os sinais de alerta e procurar atendimento no momento certo pode fazer toda a diferença.
Controlar a glicemia hoje é proteger o coração, os rins, o cérebro e preservar a vida amanhã.
Dr. Gabriel José Fortunato Médico CRM/SC: 43.515
Hospital Padre Luiz Heinen/ Caxambu do Sul-SC

