Eleições 2026: os cenários dos principais candidatos em SC; custos dos cartórios provocam reação no setor imobiliário; SC tem o menor índice de desemprego do país – e outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Oito nomes disputam o Governo do Estado, mas três são os que se destacam pela força de seus históricos políticos, além dos partidos e alianças.

O governador Jorginho Mello (PL) é o favorito natural à reeleição, inclusive, hoje, em primeiro turno. Além da força da cadeira que ocupa e da boa avaliação nas pesquisas, o líder dos liberais conseguiu montar a nominata mais competitiva desse pleito, sobretudo no PL e no Republicanos, com alguns reforços em outros partidos que participam de sua aliança. Em suma, Jorginho criou um verdadeiro exército eleitoral espalhado pelo estado.

Esse grupo formado pelo governador, além de ajudá-lo na disputa pela reeleição, lhe dará um amplo poder, independentemente do resultado na majoritária, para conduzir os rumos do comando da Assembleia Legislativa para o biênio 2027 e 2028. Afinal, todas as apostas levam a que a maior parte do Parlamento estadual, na próxima legislatura, seja ocupada por deputados e deputadas alinhados a Jorginho. Além disso, a tendência é que faça o maior número de parlamentares na bancada catarinense em Brasília e, pelo menos, uma cadeira ao Senado, que se juntará a Jorge Seif Júnior (PL). Ou seja, os liberais, hoje, não têm apenas uma campanha eleitoral, têm força para um projeto de poder para os próximos anos.

Além das questões locais, o cenário nacional coloca Jorginho em uma boa pista para caminhar. É o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência da República, com um detalhe: tem passado ileso dos desgastes do Zero Um, conseguindo os dividendos da ligação ao ter o apoio fiel do eleitorado bolsonarista. Tudo isso porque esse eleitor entende que votar em Jorginho é votar na família Bolsonaro.

João Rodrigues

Por sua vez, João Rodrigues (PSD) também busca o eleitor de direita, sobretudo por ser uma liderança historicamente ligada a esse campo político. Exímio comunicador, com histórico de boa gestão em Chapecó, o pessedista ainda não conseguiu encontrar um discurso de campanha. Sem marqueteiro, tem feito movimentos erráticos, a exemplo da questão das vacinas, apoiando teorias da conspiração, o que lhe rendeu boas críticas nas redes sociais. Além do mais, até o momento, Rodrigues não conseguiu fazer o eleitor da direita pensar por que deveria deixar o governador, que também é de direita e disputa a reeleição, para votar nele. O que isso mudaria para esse eleitor que já está com Jorginho e tem a direita no poder?

Também vale destacar que Rodrigues parece ter percebido que somente essa parcela do eleitorado não será suficiente. Por isso, busca aproximação com a forte militância do MDB e tem evitado criar barreiras entre ele e o eleitorado de centro-esquerda. A conta é que, se chegar ao segundo turno contra Jorginho, precisará dos votos do campo progressista para vencer.

Além de tudo isso, tem a questão nacional. Enquanto Jorginho conta com a força do bolsonarismo e Gelson Merisio (PSB) tem o presidente Lula (PT) como seu principal cabo eleitoral, Rodrigues está ligado a Ronaldo Caiado (PSD), que não consegue empolgar o país e tampouco o eleitor catarinense. Pelo contrário, é ele quem carrega Caiado quando o candidato a presidente vem ao estado. Em suma, João tem uma pista sinuosa, pois agora tem um estado para convencer, bem diferente de enfrentar uma eleição em Chapecó, onde sempre será o favorito.

Abençoado por Lula

Gelson Merisio (PSB) tem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o seu maior fiador para conquistar o eleitorado de esquerda e, até mesmo, quem não é de esquerda, mas que rechaça os demais nomes que se apresentam no cenário. Vale destacar que uma parcela interessante desse campo já está com ele, e a tendência é de crescimento à medida que a campanha avance e seu nome seja cada vez mais vinculado ao do presidente Lula, que virá a Santa Catarina.

Merisio iniciou, há algum tempo, esse processo de deixar a direita e mirar a centro-esquerda. Assume genuinamente as bandeiras progressistas e mostra que Lula segue com o seu tino apurado para escolher seus candidatos para os estados.

É por isso que a candidatura de Gelson Merisio precisa ser olhada para além do resultado de outubro. São duas missões, sendo que a primeira é ajudar o presidente Lula a se reeleger, melhorando o desempenho do líder petista aqui no estado. A segunda é fazer a esquerda recuperar o seu espaço junto ao eleitorado catarinense. Sem contar que um bom resultado no pleito atual coloca Merisio em uma condição totalmente diferenciada em 2030, no pós-Lula e definitivamente pós-bolsonarismo no modelo atual que conhecemos.

Até lá, será uma direita com cara nova, e isso abrirá portas para outros setores da política se apresentarem, e é aí que Merisio terá uma porta aberta, mesmo sendo de oposição. Será um projeto com mais musculatura, que o colocará em condições de igualdade, o que hoje não ocorre simplesmente pelo fato de a população ainda estar balizada pela polarização e de o eleitorado catarinense ser majoritariamente de direita. Mesmo assim, Merisio tem uma condição que nenhum outro nome da esquerda tradicional catarinense tem: a de entregar um resultado histórico para o campo progressista. Se houver segundo turno, é um forte candidato a estar na disputa.

Quarta força

Marcelo Brigadeiro disputa a sua primeira eleição – Imagem: extraída de uma live

Dos demais candidatos, Marcelo Brigadeiro (Missão) é o que tem o maior potencial de se destacar. Conforme já escrevi outras vezes, tudo depende do desempenho de Renan Santos (Missão) na disputa à Presidência da República. As pesquisas colocam Santos em terceiro, o que poderá beneficiar Brigadeiro, mas não, neste momento, a ponto de disputar os primeiros lugares.

Demais nomes

Laís Chaud – UP, Bruno Pedreiro – PCO, Professor Marcus Sodré – PSTU e Ralf Zimmer – PRD fecham a lista dos candidatos.

Cartórios

Entidades do setor imobiliário aqui no estado estão mobilizadas para mudar a base de cálculo de impostos, taxas e emolumentos cartoriais nas transações com imóveis. Creci-SC, Sindimóveis-SC e Secovis defendem, em nota técnica conjunta, que seja considerado o valor declarado em contrato pelas partes. As entidades questionam as avaliações mercadológicas realizadas pelas próprias serventias extrajudiciais, classificadas como “arbitrárias”, e argumentam que a avaliação de imóveis é atribuição dos corretores, assegurada por legislação federal. Segundo o setor, a prática tem provocado casos de elevação dos valores considerados nas operações, aumentando os custos de registro e a carga tributária suportada pelos contribuintes. A coluna acompanhará esse assunto de perto.

Discussão na Alesc

O deputado estadual Ivan Naatz (PL) pretende ampliar, na Assembleia Legislativa, o debate sobre os critérios utilizados pelos cartórios na definição de valores que impactam impostos, taxas e emolumentos em operações imobiliárias. Após reunião com o presidente do Sindimóveis-SC, Sergio Luiz Nahas, o parlamentar concordou com a preocupação das entidades e defendeu maior transparência nos critérios adotados pelas serventias extrajudiciais. Proponente da CPI dos Cartórios na Alesc, que acabou arquivada, Naatz afirma que pretende retomar a discussão com os demais parlamentares e o poder público, buscando uma solução que não aumente os custos para o cidadão catarinense.

Suposta improbidade

O Ministério Público, por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Canoinhas, determinou o ajuizamento de ação de improbidade administrativa contra o servidor Aécio Rodrigo Budant e outros investigados. O inquérito, aberto em 2023, apurou contratos envolvendo a Prefeitura de Três Barras, a SAMASA e a Prefeitura de Major Vieira. Segundo o MP, os fatos caracterizariam enriquecimento ilícito e dano ao erário. Em Três Barras, a investigação apontou que os contratos 96/2020 e 97/2020, assinados com Marcos Aurélio Budant, pai de Aécio, teriam sido utilizados para ocultar a execução dos serviços pela G Stone, empresa do próprio servidor, que estava impedido de contratar com o município. Também foram apontados pagamento em duplicidade pela higienização de documentos e ausência de estudo técnico para a digitalização de 300 mil páginas.

Erro grosseiro

O Ministério Público classificou como “erro grosseiro” os pareceres do assessor jurídico Antonio Eduardo Martins Weinfurter que permitiram o fracionamento dos serviços para viabilizar a dispensa de licitação em Três Barras. Na SAMASA, a apuração indicou que a ex-diretora Paola Sabrina Pereira acumulou as funções de ordenadora de despesa e fiscal do contrato, certificando serviços sem comprovação técnica adequada. O espaço está aberto para todos os citados.

Registros de ponto

Outra frente da investigação do Ministério Público envolve a atuação da G Stone em Major Vieira. A empresa prestou assessoria de planejamento orçamentário ao município enquanto Aécio Rodrigo Budant ocupava cargo comissionado em Três Barras, atividade que, segundo a apuração, era proibida pelo estatuto dos servidores. A análise dos espelhos de ponto eletrônico e dos relatórios de atividades indicou que Aécio registrou presença em Três Barras em dias nos quais teria prestado serviços presenciais em Major Vieira. Diante das conclusões, o MP também determinou a abertura de processo administrativo disciplinar e a notificação da Junta Comercial sobre o registro da empresa do servidor. O inquérito foi arquivado parcialmente apenas em relação ao ex-prefeito Adilson Lisckovski, devido ao seu falecimento.

Menos desemprego

Santa Catarina encerrou o segundo trimestre com a menor taxa de desemprego entre todas as unidades da Federação. O índice ficou em 2,1%, de acordo com dados do IBGE. Além de ocupar a primeira posição no país, o estado registrou uma queda de 0,6 ponto percentual na comparação com o primeiro trimestre. A redução foi considerada estatisticamente significativa pelo instituto. Na sequência, aparecem Mato Grosso, com 2,2%, e Espírito Santo, com 2,3%. No outro extremo, estão Amapá, com 9,8%, Bahia, com 9,1%, e Pernambuco e Piauí, ambos com 8,3%. O desempenho catarinense está bem abaixo da média brasileira. No país, a taxa de desemprego ficou em 5,4% entre abril e junho, o menor percentual já registrado para um segundo trimestre desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.

Trabalhadores informais

O bom desempenho de Santa Catarina no mercado de trabalho não se limita à baixa taxa de desemprego. Dados da Pnad Contínua mostram que o estado também apresentou, no segundo trimestre, a menor taxa de informalidade do Brasil. Segundo o IBGE, 25,4% dos trabalhadores ocupados aqui em Santa Catarina estavam na informalidade, percentual consideravelmente inferior à média nacional, de 37,4%. Depois, aparecem o Distrito Federal, com 28,7%, e Mato Grosso do Sul, com 29,2%. A situação é bastante diferente em parte das regiões Norte e Nordeste. No Maranhão, os informais representam 56,9% da população ocupada. Pará, com 55,9%, Amazonas, com 51,7%, e Bahia, com 50,7%, também registraram índices superiores a 50%.

Desempenho do Sul

A Região Sul manteve, no segundo trimestre, a menor taxa de desemprego do Brasil, com 3,2%. O resultado foi puxado, entre outros fatores, pelo desempenho de Santa Catarina, que apresentou índice de apenas 2,1%, o menor entre os estados. O Centro-Oeste aparece logo depois, com taxa de 3,8%, seguido pelo Sudeste, com 5,2%. As três regiões ficaram abaixo da média brasileira, de 5,4%. Já o Norte registrou 6,1%, enquanto o Nordeste apresentou o maior percentual, com 7,6%. Os números do IBGE mostram, porém, que o Centro-Oeste vem reduzindo a diferença em relação ao Sul. No segundo trimestre deste ano, apenas 0,6 ponto percentual separava as duas regiões. Há um ano, a distância era de 1 ponto percentual e, no primeiro trimestre de 2012, início da série histórica, chegava a 1,9 ponto percentual. Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, a força do agronegócio ajuda a compreender o movimento no Centro-Oeste.