
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou uma denúncia contra 164 pessoas apontadas como integrantes de uma facção criminosa, em uma ação considerada pela instituição a de maior número de denunciados envolvendo organizações desse tipo em sua história. A denúncia foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital como resultado da Operação Coluna Sul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO). Segundo o MPSC, os denunciados estariam distribuídos em 12 núcleos da organização, conforme as funções atribuídas a cada integrante: 31 estariam em níveis superiores de comando, 74 exerceriam funções intermediárias de coordenação, disciplina ou gestão operacional e 60 estariam na base da estrutura.
A denúncia possui mais de 1.500 páginas e foi organizada em 27 capítulos, além de documentos apresentados separadamente. Diante da complexidade do caso, o Ministério Público pediu à Justiça a divisão do processo em 23 ações penais, com o objetivo de facilitar a tramitação e individualizar as condutas atribuídas aos investigados. Todos os 164 denunciados respondem pela suposta promoção ou integração de organização criminosa ultraviolenta, conforme a Lei nº 15.358/2026. O MPSC também atribuiu outros crimes a parte dos investigados: 21 são acusados de tráfico de drogas e três de comércio ilegal de armas de fogo. A instituição ainda requereu indenização mínima de R$ 200 mil por denunciado para reparação de supostos danos morais coletivos.
De acordo com a denúncia, a facção manteria uma estrutura denominada “Coluna Sul”, responsável pela coordenação de atividades em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A investigação aponta uma divisão de funções com setores voltados ao recrutamento, inclusive de adolescentes, comunicação interna, disciplina, administração financeira, logística de armamentos e articulação entre integrantes presos e aqueles em liberdade. Segundo o Ministério Público, grupos de mensagens eram utilizados para transmitir ordens, compartilhar informações e coordenar atividades. A acusação também aponta a existência de um sistema de controle de armas, envolvendo aquisição, armazenamento, manutenção e distribuição, além da suposta utilização de adolescentes em procedimentos de ingresso na organização, chamados de “batismos”.
Deflagrada em 1º de julho, a Operação Coluna Sul é considerada pelo MPSC a maior ação realizada pelo GAECO em Santa Catarina. A ofensiva teve como objetivo investigar uma facção suspeita de envolvimento em crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios e porte ilegal de armas de fogo. A operação foi realizada simultaneamente em seis estados e alcançou 30 municípios catarinenses, além de cidades do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Foram cumpridos 132 mandados de busca e apreensão e realizadas 147 prisões, sendo oito em flagrante, além da apreensão de celulares, armas, munições, drogas, documentos e outros materiais relacionados à investigação.
A 39ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela denúncia, atua no combate às organizações criminosas e, desde julho de 2025, passou a ter abrangência estadual para investigação e processamento de crimes relacionados a essas estruturas em Santa Catarina. O GAECO é formado por uma força-tarefa que reúne o MPSC, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. A denúncia apresentada pelo Ministério Público ainda será analisada pela Justiça, e os 164 denunciados são considerados acusados, não condenados, até eventual decisão judicial definitiva.
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