Pesquisa Quaest: o que mostram os recortes do levantamento; veja o cenário para o Governo do Estado e o Senado — e outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Alguns recortes da pesquisa Quaest, contratada pela NSC e divulgada ontem, merecem uma análise mais detalhada. No geral, os números apresentam o governador Jorginho Mello (PL) consolidado no primeiro lugar e, mesmo oscilando para baixo, segue na margem de erro e com boa distância em relação aos demais candidatos.

Quando o levantamento é espontâneo, ou seja, quando os nomes dos candidatos não são apresentados para o eleitor, o percentual de indecisos vai para as alturas, chegando a 65%. E isso corrobora o vídeo que publiquei na semana passada em nosso perfil no Instagram, sobre a falta de interesse do eleitor na campanha estadual, devido à polarização nacional e também à inércia do cenário catarinense.

Porém, quando passa para a pesquisa estimulada, com os nomes sendo apresentados, Jorginho salta para 50% das intenções de voto, chegando a 65% dos votos válidos, consolidando, neste momento, um cenário de reeleição em primeiro turno. Isso confirma uma das minhas colunas quando, em uma análise, apontei que o nome do líder dos liberais está atrelado ao cargo, e isso direciona as pessoas a pensarem nele quando pensam no voto. E isso é corroborado pelos 70% de aprovação de seu governo apresentados na pesquisa.

Outro ponto é que Jorginho está consolidado entre o eleitorado de direita. Ele tem 68% das intenções de voto dos que não se consideram bolsonaristas e 71% dos bolsonaristas, ou seja, deixa uma pequena margem para João Rodrigues (PSD). Além disso, conta com 46% dos chamados independentes, 6% da esquerda não lulista e 27% dos lulistas.

Em falar em João Rodrigues, ele aparece em segundo, com 7% na espontânea e 17% na estimulada. Está dentro de um patamar normal para um candidato que ainda precisa vencer alguns desafios. Na direita, por exemplo, tem 13% das intenções de voto dos não bolsonaristas e 14% dos bolsonaristas. Conforme já destaquei há alguns dias, Rodrigues precisará convencer esse eleitor a trocar um nome da direita que está no governo por outro nome do mesmo espectro político. Qual será o argumento?

Agora, o que mais deve chamar a atenção da campanha do pessedista é o fato de que a sua maior penetração proporcional está entre eleitores de esquerda. Ele tem 29% dos lulistas e o mesmo percentual da esquerda não lulista, além de 16% dos independentes. Isso já havia sido observado pela campanha de Rodrigues. A questão é que esse eleitor de esquerda já percebe, em Gelson Merisio (PSB), um candidato de seu espectro, ou seja, o provável crescimento de Merisio também será em cima de Rodrigues, que tem uma questão a observar. Precisa manter esse eleitor de esquerda, ao mesmo tempo que tem a necessidade de se movimentar para cima de Jorginho para tentar conquistar o eleitor que hoje está com o liberal. A questão é que seguir sem conflitar com o eleitorado progressista não dá voto na direita, enquanto, se radicalizar para ganhar os direitistas, deverá acelerar a ida do eleitor de esquerda para a campanha de Merisio.

Quanto a Gelson Merisio (PSB), a pesquisa surpreende pelo baixo percentual na estimulada, 4%, pois já é perceptível o eleitor de centro-esquerda aderindo à sua candidatura. Segundo a pesquisa da Quaest, 12% dos lulistas e 18% da esquerda não lulista estão com ele. Mais 2% dos independentes também. Conforme já escrevi, a questão que se apresenta não é apenas se Merisio terá espaço para crescer, mas quando – e em que velocidade – conseguirá transformar a identificação com a esquerda em intenção de voto. Provavelmente, isso ocorrerá quando esse eleitor entender que apoiar o seu projeto é apoiar o presidente Lula (PT).

Senado

Esperidião Amin lidera a corrida ao Senado – Imagem: Agência Senado

A pesquisa Quaest ao Senado mostra um cenário que há tempos destaco nas colunas que escrevo e nos vídeos que publico no Instagram. A campanha do senador Esperidião Amin (Progressistas) está muito consolidada. Na soma dos dois votos, Amin tem 19%, seguido por Carlos Bolsonaro (PL), com 16%, e Caroline de Toni (PL), mais atrás, com 12% das intenções. Nessa pesquisa, Décio Lima (PT) começa a aparecer com um pouco mais de força, com 9% das intenções de voto. Há algum tempo, eu tenho alertado que Carlos e Caroline poderão brigar por uma vaga. Isso porque há uma grande rejeição ao ex-vereador do Rio de Janeiro, devido ao entendimento de que ele não tem qualquer ligação com Santa Catarina, e o eleitor de Caroline já começa a mostrar insatisfação com a submissão de sua candidatura à do Zero Dois do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Margem

Caroline começa a desidratar e a perder espaço para Carlos — Imagem: Divulgação

Na margem de erro, chama a atenção que Carlos Bolsonaro (PL) só consegue empatar com Esperidião Amin (Progressistas), não o passa nessa pesquisa da Quaest. Briga com Caroline de Toni (PL) pela segunda vaga e, na margem de erro, ela pode ultrapassá-lo, mas, ao mesmo tempo, a deputada começa a brigar com Décio Lima (PT), que, na margem de erro, pode empatar com ela. Essa pesquisa mostra que pode estar começando um processo de derretimento de Caroline na disputa.

Voto de convicção

Na eleição ao Senado, com dois votos, o primeiro sempre é o da convicção. É em quem o eleitor quer realmente votar. A pesquisa da Quaest mostra que Esperidião Amin (Progressistas) lidera no primeiro, com 23% das intenções, e no segundo, com 15%. Carlos Bolsonaro (PL) tem 21% no primeiro voto e 12% no segundo. Caroline de Toni (PL) tem apenas 12% no primeiro voto e 12% no segundo. Décio Lima (PT) tem 10% no primeiro e 7% no segundo. Parece que o eleitor, neste momento, está perdendo a convicção em De Toni.

Nova pesquisa

Amanhã será a vez da Neokemp publicar mais uma pesquisa de intenção de votos ao Governo do Estado e ao Senado.

Fala polêmica

João Rodrigues admite que Caiado não caiu nas graças do eleitor – Imagem: Divulgação

Ontem, na saída do debate da Rádio Eldorado, em Criciúma, o candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD), foi abordado por apoiadores dos candidatos a presidente Renan Santos (Missão) e Marcelo Brigadeiro (Missão), que disputa o Governo do Estado. Ao ouvir de um dos apoiadores o nome de Santos, Rodrigues respondeu: “Eu gosto dele, viu”. Questionado se o apoiaria, o pessedista disse que, se chegar ao segundo turno, o apoiará. Agora, chamou a atenção que Rodrigues reconheceu que Ronaldo Caiado não cai na graça do eleitor.

Eleição nacional

O fato de o eleitor catarinense estar voltado para a eleição nacional faz com que os candidatos ao Governo do Estado contem com o apoio de candidaturas fortes a presidente da República. O governador Jorginho Mello (PL) tem Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Gelson Merisio (PSB) tem o presidente Lula (PT). João Rodrigues (PSD) não consegue contar com Ronaldo Caiado (PSD), que não decola nas pesquisas. É um fato: quando Caiado vem ao estado, Rodrigues o apresenta ao eleitor, em vez de ser fortalecido pelo ex-governador de Goiás.

Fim das Bets

Lunelli trabalhará para acabar com as Bets caso seja eleito — Imagem: Divulgação

O deputado estadual Antídio Lunelli (MDB), em entrevista que me concedeu na semana passada, afirmou que, se for eleito ao Senado, trabalhará para acabar com as Bets. Segundo ele, somente na sua empresa, muitos funcionários estão endividados por causa das apostas online. Lunelli demonstrou grande preocupação com os impactos das Bets na vida dos brasileiros.

Lançamento

Fabrício Oliveira durante o lançamento de sua campanha – Imagem: Divulgação

O ex-prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira (Republicanos), lançou ontem à noite a Caravana 1000. Candidato a deputado federal, Oliveira reuniu cerca de 1,5 mil pessoas. Ele pretende levar a campanha para outras regiões do estado para ouvir as demandas da população. Segundo ele, a sua experiência de ter sido prefeito lhe permite conhecer as demandas da população.

Pautando SC

Nesta semana, os convidados do Pautando SC seriam os candidatos ao Senado Caroline de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL). Eles não responderam ao convite. Portanto, o programa volta na próxima semana com Décio Lima (PT), na quarta-feira, e Esperidião Amin (Progressistas), na sexta-feira.